Minha sogra cortou meu cabelo antes do doutorado — então meu pai se levantou

Por quê?

— Porque alguma coisa naquela mensagem estava errada.

Ele virou para Renato.

— Conversei com o porteiro.

Pedi para ver se havia câmera no corredor.

O rosto de Renato mudou.

— Você não tem direito de acessar gravações do condomínio.

— Eu não acessei diretamente.

O síndico preservou as imagens depois que expliquei a situação, e eu fui à delegacia.

Márcia empalideceu.

— Delegacia?

Antônio assentiu.

— Existe uma gravação mostrando minha filha saindo do apartamento com o cabelo destruído, chorando, enquanto seu filho vai atrás dela.

Renato levantou as mãos.

— Isso não prova nada.

— As fotos dela provam alguma coisa.

O depoimento dela prova alguma coisa.

E o fato de você admitir que estava lá também ajuda.

Helena sentiu a garganta apertar.

— Pai, você registrou ocorrência?

— Registrei o que eu podia registrar sem falar por você.

O restante é sua decisão.

Renato olhou para Helena.

— Você vai transformar uma discussão de casal em caso de polícia?

Ela respirou fundo.

— Você me segurou enquanto sua mãe cortava meu cabelo.

— Eu estava tentando impedir você de sair no meio da conversa.

— E você não percebeu que ela estava com uma tesoura?

Ele ficou em silêncio.

Márcia avançou.

— Isso tudo é um absurdo.

Eu cortei algumas mechas.

Ela está viva.

A frase pareceu gelar a sala.

Professora Lúcia, que havia voltado discretamente para buscar uma pasta, ficou parada perto da porta.

— A senhora acabou de admitir que cortou o cabelo dela contra a vontade dela?

Márcia percebeu tarde demais o que tinha dito.

— Eu quis dizer que…

— Chega — Helena respondeu.

Antônio abriu o envelope.

— Infelizmente, não é só isso.

Retirou várias folhas.

Renato deu um passo à frente.

— O que você está fazendo?

Antônio entregou os papéis à filha.

Helena reconheceu imediatamente os extratos da conta conjunta que mantinha com Renato.

— Onde você conseguiu isso?

— Você me deu acesso temporário anos atrás para ajudá-la com a declaração de imposto.

Quando fui procurar seu endereço completo para registrar a ocorrência, vi as transferências recentes que você havia comentado que não reconhecia.

Helena lembrava-se de ter mencionado pequenas diferenças no saldo, mas Renato sempre dizia que eram pagamentos automáticos.

Ela começou a ler.

Transferências para uma conta desconhecida apareciam mês após mês.

Três mil reais.

Quatro mil e quinhentos.

Seis mil.

Valores acumulados por mais de um ano.

— Renato.

Ele não respondeu.

Helena chegou à última página.

Uma transferência de vinte mil reais havia sido feita dois dias antes.

No mesmo dia em que Márcia chegara.

— Para onde foi esse dinheiro?

Márcia respondeu:

— Era dinheiro do casal.

Helena ergueu os olhos lentamente.

— Foi para você?

Ninguém disse nada.

O silêncio confirmou.

— Você tirou dinheiro da nossa conta e mandou para sua mãe sem me contar?

Renato massageou a testa.

— Eu ia explicar.

— Quando?

— Depois da sua defesa.

Helena riu, sem humor.

— Você estava tentando impedir minha defesa.

Renato não conseguiu responder.

Antônio apontou para uma sequência de transferências.

— Foram mais de quarenta mil reais.

Helena sentiu o chão sumir de novo.

Aquelas economias incluíam parte de bolsas, aulas extras, revisões técnicas e dinheiro guardado desde o início do doutorado.

— Por quê?

Renato finalmente falou.

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