Minha Madrasta Humilhou Meu Pai Ferido — Até Eu Apertar o Play

documentos.

Augusto encostou a cabeça no sofá.

O cansaço finalmente o alcançara.

Sônia se aproximou.

— Ele precisa descansar.

Helena deu um passo na direção do marido.

Laura se colocou entre os dois.

— Não.

— Eu sou esposa dele.

Augusto levantou a mão.

— Helena, chega.

Foi a primeira vez que sua voz voltou a soar como Laura lembrava.

Fraca, mas firme.

— Quero que você saia do meu quarto.

Quero que fique longe dos meus remédios.

E quero que qualquer conversa comigo aconteça na presença de Laura ou dos advogados.

Helena ficou imóvel.

— Depois de tudo que fiz por você?

Augusto olhou para ela durante vários segundos.

— Essa é exatamente a pergunta que eu quero responder.

Na manhã seguinte, o conteúdo do cofre foi aberto diante de representantes legais e registrado formalmente.

Havia extratos, contratos, mensagens impressas e um relatório preparado pelo antigo diretor financeiro da Valença Engenharia.

Os documentos apontavam para uma sequência de pagamentos destinados a empresas intermediárias ligadas indiretamente a Caio.

Mais importante, havia um memorando datado de três dias antes do acidente no qual Augusto anotara dúvidas sobre alterações não autorizadas em contratos.

Nada no cofre provava, sozinho, que Caio tivesse causado o acidente.

Mas havia informação suficiente para justificar uma investigação muito mais ampla sobre fraude financeira.

O ponto decisivo veio de outra fonte.

Ao revisar os registros da garagem da empresa, investigadores localizaram imagens preservadas automaticamente em um servidor externo.

Na noite anterior ao acidente, um homem contratado por uma empresa ligada a Caio aparecia entrando na área onde o carro de Augusto estava estacionado.

A imagem não mostrava sabotagem.

Mas, combinada com os registros financeiros e mensagens posteriores, tornou-se relevante.

Caio tentou dizer que o homem fora enviado para buscar documentos.

O problema era que a própria mensagem encontrada em seu telefone contradizia essa versão.

A investigação avançou.

As transferências patrimoniais foram suspensas judicialmente enquanto especialistas avaliavam a capacidade de Augusto no momento das assinaturas e a validade dos atos praticados.

Helena, ao perceber que Caio desviara parte do dinheiro para contas que ela desconhecia, contratou seu próprio advogado.

A aliança terminou em menos de quarenta e oito horas.

Eles passaram a acusar um ao outro.

Para Laura, porém, a parte mais difícil não aconteceu em tribunal nem diante de documentos.

Aconteceu três noites depois, no antigo escritório do pai.

Augusto estava sentado numa poltrona, a perna apoiada sobre um banquinho.

Laura organizava papéis quando ele falou:

— Eu devia ter ligado para você.

Ela parou.

— Muitas vezes.

— Eu também devia ter ligado.

— Você foi embora porque eu tornei ficar impossível.

Laura respirou fundo.

Durante anos, imaginara aquela conversa.

Em algumas versões, gritava.

Em outras, dizia que não precisava mais dele.

Agora, diante de um homem enfraquecido, nenhuma dessas fantasias parecia importante.

— Eu não fui embora só por sua causa — disse.

— Também fui porque precisava provar que podia construir uma vida sem o sobrenome Valença abrindo portas.

Augusto sorriu com tristeza.

— E conseguiu?

— Consegui.

— Então pelo menos errei de uma maneira produtiva.

Laura riu pela primeira vez desde que voltara.

O pai estendeu a mão.

— Teresa teria orgulho de você.

Laura olhou para o relógio sobre a mesa.

Ele estava novamente no pulso de Augusto na manhã seguinte.

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