Minha Madrasta Humilhou Meu Pai Ferido — Até Eu Apertar o Play

assinou.

Laura voltou os olhos para a madrasta.

— Não foi o que perguntei.

Caio desceu dois degraus.

— Cuidado com as acusações.

Laura olhou para o relógio que ele usava.

— Você também recebeu presentes?

Caio ergueu o pulso propositalmente.

— Augusto me deu.

O pai de Laura desviou os olhos.

Laura percebeu.

— Pai?

Ele demorou para responder.

— Não lembro.

Caio deu de ombros.

— Ele não lembra de muita coisa ultimamente.

Foi naquele instante que Laura teve certeza de que a mensagem da enfermeira não era exagerada.

Ela se levantou.

— Helena, os documentos foram assinados antes ou depois do acidente?

— Alguns depois.

— Com acompanhamento médico?

— Não preciso responder a interrogatório dentro da minha própria casa.

Laura observou a sala.

O ambiente continuava quase igual ao de sua infância: a madeira escura da escada, a lareira de pedra, o quadro abstrato escolhido pela mãe, a porta do escritório do pai ao fundo.

A única diferença era a sensação.

A casa parecia ocupada.

Não habitada.

— Esta não é sua casa simplesmente porque você diz que é — falou Laura.

Helena soltou uma risada.

— Você realmente não sabe de nada.

— Sei que existem transferências feitas depois de um acidente incapacitante.

Sei que meu pai não consegue dizer se entregou um relógio que usou por vinte anos.

E sei que alguém nesta casa controla os remédios dele.

Caio se aproximou.

— Está insinuando o quê?

Laura tirou o celular do bolso.

— Não preciso insinuar.

Ela pressionou a tela.

A voz de Helena encheu a sala.

— Aumente a dose antes de o tabelião chegar.

Preciso que Augusto esteja confuso o bastante para não começar a fazer perguntas.

Caio parou.

Helena ficou imóvel.

Na gravação, outra voz, mais baixa, respondeu alguma coisa que não era perfeitamente audível.

Então Helena falou novamente:

— E esconda os comprimidos antigos.

Se compararem as doses, teremos problemas.

Laura desligou.

Augusto encarou a esposa.

O choque no rosto dele era pior que raiva.

— Helena?

Ela recuperou a voz depressa.

— Isso está fora de contexto.

— Qual contexto torna essa frase aceitável? — perguntou Laura.

— Eu estava falando de uma alteração prescrita pelo médico.

— Então deve existir receita.

Helena não respondeu.

Caio tentou assumir o controle.

— Uma gravação clandestina não prova crime nenhum.

— Talvez não sozinha.

Laura caminhou até a mala e retirou uma pasta azul.

A reação de Caio foi mínima.

Mas ela viu.

Os ombros endureceram.

A respiração parou por um segundo.

— Você reconhece esta pasta? — perguntou.

— Não.

— Curioso.

Helena olhou para o filho.

— O que é isso?

Laura abriu a pasta sobre a mesa de centro.

Ali estavam cópias autenticadas de um acordo patrimonial criado por Augusto e Teresa quinze anos antes.

A mãe de Laura sempre fora cautelosa com patrimônio.

Depois de ver uma amiga perder parte considerável dos bens durante uma disputa familiar, insistira em mecanismos adicionais de proteção.

Uma das cláusulas se tornaria decisiva naquela noite.

Se Augusto estivesse temporariamente incapacitado, nenhuma transferência relevante poderia ocorrer sem a assinatura de um administrador independente indicado pelo fundo familiar.

O primeiro administrador havia morrido dois anos antes.

A substituta registrada era Laura.

Helena leu o trecho duas vezes.

— Isso é falso.

— Não.

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