Você provavelmente encontrou uma cópia antiga no escritório, sem o último anexo.
Caio aproximou-se rapidamente.
— Me dá isso.
Laura colocou a mão sobre a pasta.
— Não toque.
Ele parou a menos de um metro dela.
Naquele momento, a campainha tocou.
Helena virou-se para a porta.
— Quem você trouxe?
— Gente que prefere trabalhar com documentos originais.
A governanta abriu a porta.
Entraram Marina Salles, advogada especializada em patrimônio empresarial, e Sônia Ribeiro, a enfermeira responsável por Augusto durante boa parte da recuperação.
Helena perdeu a cor.
— Sônia.
A enfermeira não respondeu de imediato.
Carregava uma pequena bolsa térmica e um caderno.
— Você foi demitida — disse Caio.
— Depois que comecei a fazer perguntas — respondeu Sônia.
Augusto franziu a testa.
— Disseram que você pediu para sair.
Sônia olhou para ele.
— Eu nunca pedi.
O rosto de Augusto se contraiu.
Marina fechou a porta atrás delas.
— Sr.
Augusto, tudo o que vamos mostrar pode ser verificado independentemente.
O senhor não precisa tomar nenhuma decisão esta noite.
Helena deu uma risada nervosa.
— Vocês entram aqui e fazem um teatro, mas eu sou a esposa dele.
— E isso não lhe dá o direito de alterar medicação ou induzir assinaturas — respondeu Marina.
Sônia colocou o caderno sobre a mesa.
Cada página tinha datas, horários e doses administradas.
Ela explicou que, no início, seguira as prescrições médicas normalmente.
Depois, Helena começara a pedir doses extras em determinados dias, dizendo que Augusto estava agitado.
Sônia notou um padrão.
As doses adicionais quase sempre antecediam visitas relacionadas a documentos.
— Por que não me contou? — perguntou Augusto.
A enfermeira abaixou os olhos.
— Tentei.
Duas vezes.
Helena estava no quarto nas duas ocasiões.
Depois, Caio disse que eu seria substituída se continuasse questionando a família.
Caio apontou para ela.
— Ela está mentindo.
Sônia abriu a bolsa.
Dentro havia frascos vazios, embalagens e cópias de prescrições.
— Então será fácil provar.
Laura observava Helena e Caio mais do que os documentos.
Eles estavam começando a olhar um para o outro.
Não como aliados.
Como pessoas calculando quem poderia culpabilizar primeiro.
Marina retirou um envelope.
— As transferências posteriores ao acidente já foram contestadas.
Os bancos também receberam pedido formal de preservação de registros.
Caio reagiu.
— Bancos?
Laura se voltou para ele.
— Sim.
Inclusive movimentações ligadas à Prado Consultoria Patrimonial.
Caio empalideceu.
Helena franziu a testa.
— O que é Prado Consultoria?
Ninguém precisou explicar o significado do silêncio de Caio.
Laura puxou outra folha.
— Uma empresa aberta vinte e três dias depois do acidente do meu pai.
Ela recebeu valores vindos de uma conta que Augusto supostamente autorizou movimentar.
Helena encarou o filho.
— Você me disse que aquele dinheiro estava na conta de investimento.
— Não fala nada — murmurou Caio.
A frase confirmou mais que uma confissão.
Helena atravessou a sala.
— Quanto você tirou?
— Ela está tentando colocar a gente um contra o outro.
— Quanto?
— Depois conversamos.
Helena agarrou o pulso dele e arrancou o relógio de Augusto.
— Você ia ficar com tudo, não ia?
— Para.
— Você disse que as transferências eram proteção para nós dois.
Augusto permaneceu sentado, assistindo.
Aos poucos, a expressão de vergonha desaparecia de seu rosto.
No lugar,