Minha Filha Me Deixou Com a Conta — Então o Banco Revelou o Segredo

garantidor e que estão transferindo direitos.

Você pagou?

— Sim.

— Sem falar comigo?

Olhei para o teto do quarto.

— Você saiu de um restaurante ontem e deixou uma conta de quase seis mil reais para mim sem falar comigo.

Silêncio.

— Caio estava passando mal.

— Caio estava escondendo macarons no bolso cinco minutos antes.

Outro silêncio.

— Mãe, não misture as coisas.

— Eu não estou misturando.

Estou finalmente juntando.

Marcelo tomou o telefone.

— Lídia, isso é desproporcional.

— O que é desproporcional?

— Mexer no escritório por causa de uma conta de jantar.

— Você está três parcelas atrasado.

A frase caiu pesada.

— Como você sabe disso?

— Eu sou garantidora, Marcelo.

— Eu ia resolver.

— Com qual dinheiro?

Ele ficou calado.

Ouvi Helena ao fundo.

— Três parcelas? Marcelo, você disse que estava tudo em dia.

Foi a primeira vez que entendi que ela talvez não soubesse.

A raiva que eu sentia por Helena não desapareceu, mas mudou de forma.

Talvez ela tivesse participado da humilhação no restaurante.

Mas poderia estar sendo enganada em outro nível.

— Helena — falei — Eduardo encontrou transferências da empresa para uma conta particular.

— O quê?

— Ele está investigando.

Marcelo desligou.

Às 8h42, Eduardo me enviou um extrato.

R$ 180 mil haviam saído da empresa de arquitetura em julho para uma sociedade chamada Vértice Consultoria Patrimonial.

— Você conhece? — perguntei.

— Ainda não, mas pedi o quadro societário.

Uma hora depois, ele me ligou novamente.

— Lídia, achei a proprietária.

— Quem?

— Renata Paes Albuquerque.

O sobrenome me atingiu primeiro.

Paes Albuquerque.

Eu conhecia uma Renata com aquele sobrenome.

Ela tinha sido assistente de Marcelo quando o escritório ainda funcionava numa sala de quarenta metros quadrados.

Tinha saído onze anos antes, depois de uma confusão que Helena nunca explicou direito.

Lembrei de uma discussão num Natal.

Helena chorando no banheiro.

Marcelo dizendo que Renata estava obcecada por ele.

Depois, nunca mais ouvimos falar dela.

— É a mesma pessoa? — perguntei.

— Pela idade e documentos, parece que sim.

Meu estômago apertou.

— Para que serviu o pagamento?

— A descrição é consultoria de aquisição imobiliária.

Mas não há contrato anexado.

— E há outras transferências?

— Estou procurando.

Havia.

Nos seis meses anteriores, R$ 326 mil tinham sido enviados para empresas ligadas a Renata.

Nenhuma possuía contrato aparente com o escritório.

Às onze da manhã, Helena apareceu na minha casa.

Não trouxe Marcelo.

Ela entrou sem maquiagem, usando calça preta e uma blusa amassada.

Parecia não ter dormido.

— Você sabia da Renata? — perguntei antes que se sentasse.

O rosto dela perdeu a cor.

Foi resposta suficiente.

— O que ela tem a ver com isso?

Mostrei os extratos impressos.

Helena leu a primeira página.

Depois a segunda.

Na terceira, sentou-se.

— Isso não pode estar certo.

— Você tem acesso às contas?

— Marcelo cuida do financeiro.

— Você é sócia.

— Eu cuido dos projetos, das equipes, dos clientes.

Ele sempre cuidou dos bancos.

Sua mão começou a apertar a borda do papel.

— Quem é Renata para ele?

Helena olhou para mim.

— Anos atrás eu descobri mensagens.

Ele jurou que nunca aconteceu nada físico.

Disse que ela saiu porque eu exigi.

— Você acreditou?

— Eu

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