diretor operacional do hotel, Fábio Nogueira.
Daniel conhecia Fábio.
Era um executivo competente, contratado antes da aquisição e mantido após a compra do Bellmont.
— Ligue para ele — Daniel disse.
Marcelo hesitou.
— Agora?
— Agora.
Fábio demorou quarenta minutos para chegar.
Quando entrou na sala azul e viu Daniel, Helena e o armário aberto, sua expressão mudou quase imperceptivelmente.
Mas Daniel percebeu.
— Vocês encontraram isso — Fábio disse.
Não era uma pergunta.
— Encontramos o lugar onde alguma coisa estava — Daniel respondeu.
Fábio respirou fundo.
— Eu posso explicar.
— Então explique.
O diretor passou a mão pelo rosto.
— Durante a vistoria, encontrei uma caixa de metal com seu nome e o nome de Marina.
Não sabia se era arquivo pessoal ou propriedade antiga do hotel.
Eu a levei para meu escritório para tentar contato com a administração central.
— Tentou?
Fábio ficou em silêncio.
— Onde está a caixa?
— No meu cofre.
Daniel sentiu a raiva crescer.
— Três semanas.
— Eu deveria ter comunicado imediatamente.
— Por que não comunicou?
Fábio olhou para Clara e depois para Helena.
— Porque abri a caixa.
O silêncio voltou.
Daniel avançou um passo.
— Você abriu algo pessoal endereçado à minha família?
— A fechadura estava quebrada.
Eu vi seu nome.
E vi documentos financeiros.
— Que documentos?
Fábio demorou a responder.
— Ações antigas do Bellmont.
Daniel ficou confuso.
— Ações?
O hotel tinha pertencido a uma empresa familiar antes de ser adquirido pelo grupo.
Fábio explicou que, dentro da caixa, havia um pacote de documentos originais e uma carta assinada por Marina.
Os papéis indicavam que ela possuíra, anos atrás, uma pequena participação na empresa que controlava o hotel.
Participação que aparentemente nunca fora incluída no processo final de aquisição.
— Isso é impossível — Daniel disse.
— Eu também pensei.
Helena falou baixo:
— Não é impossível.
Todos olharam para ela.
Ela contou que o antigo proprietário do Bellmont, Augusto Bellini, costumava recompensar funcionários que permaneciam durante os piores anos financeiros do hotel.
Marina ajudara a reorganizar reservas, treinar funcionários e até descobrir um esquema de desvio de pagamentos.
Quando deixou a empresa, Augusto entregou a ela uma pequena participação simbólica.
— Marina achava que não valia nada — Helena disse.
— Guardou os papéis e seguiu a vida.
Daniel tentou organizar as informações.
— Então por que esconder isso aqui?
Helena olhou para Clara.
— Porque, quando ficou doente, ela voltou.
Marina sabia que Daniel estava negociando a compra do Bellmont naquela época, mas não lhe contou sobre as ações.
Ela temia que Daniel interpretasse a participação como conflito na negociação ou tentasse atribuir a compra a uma lembrança sentimental.
Em vez disso, deixou os documentos guardados e pediu a Helena que preservasse a chave.
— Ela disse que, se você comprasse o hotel e algum dia trouxesse Clara aqui por vontade própria, então seria a hora certa de entregar — Helena explicou.
Daniel quase riu de incredulidade.
— Por que criar um plano tão complicado?
Helena sorriu com tristeza.
— Porque Marina sabia que você era teimoso.
Daniel baixou a cabeça.
Aquilo também parecia com ela.
Fábio trouxe a caixa do escritório.
Era de metal escuro, pequena, com sinais de ferrugem nas bordas.
Daniel a abriu.
Dentro estavam certificados antigos,