meses de registros de reclamações, recusas, ocorrências de segurança e avaliações internas.
Quero saber se isso foi um caso isolado ou um padrão.
— Entendido.
Daniel apontou para Helena.
— Primeiro, providencie o quarto dela.
— Imediatamente.
Helena, porém, não se moveu.
— Antes disso, acho que vocês deveriam ver o que essa chave abre.
Daniel olhou para ela.
— Ainda existe?
— Se ninguém reformou aquela parte completamente.
Marcelo pareceu confuso.
— Que parte?
Helena levantou a chave.
— O antigo corredor administrativo do segundo subsolo.
O gerente franziu a testa.
— Aquela área foi fechada há anos.
Daniel conhecia a planta do edifício, mas apenas superficialmente.
O grupo comprara o Bellmont depois de uma reforma parcial, e algumas áreas antigas nunca voltaram a ser usadas.
— O que existe lá? — perguntou.
Helena respondeu:
— Uma sala pequena que era usada para guardar objetos perdidos e arquivos de funcionários.
Marina chamava de sala azul porque a porta era pintada dessa cor.
Clara estava agora completamente acordada.
— A mamãe deixou alguma coisa lá?
Helena olhou para ela.
— Acho que sim.
Daniel poderia ter esperado até o dia seguinte.
Deveria ter esperado.
Mas algo na história o puxava para frente.
Teresa ficou com Helena enquanto Marcelo conseguiu acesso ao corredor do subsolo.
Renata e Bruno foram retirados do balcão até que a situação fosse formalmente revisada.
Daniel desceu com Clara pela escada de serviço, acompanhado de Helena e Teresa.
O segundo subsolo cheirava a concreto úmido e madeira velha.
Algumas lâmpadas fluorescentes falhavam no teto.
No fim do corredor havia uma porta coberta por uma tinta azul desbotada.
Helena encaixou a chave.
Ela girou.
A fechadura abriu.
Dentro, a sala estava quase vazia.
Havia prateleiras, duas cadeiras quebradas, caixas de documentos antigos e um armário metálico encostado à parede.
Helena caminhou até o armário.
— Ela colocou aqui.
— Colocou o quê?
— Uma caixa.
Daniel sentiu o coração acelerar.
Helena abriu a segunda porta do armário.
Nada.
A prateleira estava vazia.
Ela ficou pálida.
— Não.
— Tinha certeza? — Daniel perguntou.
— Absoluta.
Teresa apontou para o fundo do armário.
— Esperem.
Havia marcas mais claras na poeira.
Um retângulo perfeito mostrava que algum objeto estivera ali até recentemente.
Daniel passou o dedo pela superfície.
A poeira ao redor era antiga.
A marca, não.
— Alguém retirou a caixa — disse ele.
Marcelo, chamado ao local, examinou o armário.
— Pouquíssimas pessoas têm acesso a este corredor.
— Quem?
— Manutenção, segurança, diretoria e governança em casos específicos.
Teresa pareceu desconfortável.
— Há três semanas fizeram uma vistoria para descarte de materiais antigos.
Daniel virou-se.
— Descartaram coisas daqui?
— Algumas.
Marcelo pegou o telefone.
— Vou verificar a ordem de serviço.
Enquanto esperavam, Clara puxou a manga do pai.
— Papai, por que a mamãe escondeu uma caixa?
Daniel se agachou diante dela.
— Eu não sei.
— Você está bravo com ela?
A pergunta o surpreendeu.
— Não.
— Parece triste.
Ele sorriu sem força.
— Às vezes é quase a mesma cara.
Clara encostou a testa na dele.
— Talvez fosse uma surpresa boa.
Daniel abraçou a filha.
Marcelo voltou minutos depois com uma informação.
A ordem de serviço listava apenas móveis inutilizados e caixas sem identificação.
A retirada havia sido supervisionada pelo