atrás dela, o mármore brilhava sob a luz quente dos lustres.
Por muito tempo, ele acreditara que aquele prédio era seu porque havia assinado contratos, comprado ações e assumido dívidas.
Agora entendia que propriedade não era a parte mais importante.
Responsabilidade era.
— Porque acho que sua mãe gostaria de ver isso — respondeu.
Clara segurou sua mão.
Os dois atravessaram o saguão sem anunciar quem eram.
E, pela primeira vez desde que Marina partira, Daniel passou pelo lugar onde a pedira em casamento sem sentir apenas ausência.
Sentiu continuidade.
No andar de cima, hóspedes dormiam sem saber do homem que caminhava de tênis gastos pelo lobby.
Na recepção, ninguém correu para cumprimentá-lo.
Ninguém precisou.
Uma senhora recebeu ajuda com a mala.
Um menino ganhou um copo d’água enquanto esperava a mãe.
O entregador permaneceu protegido da chuva.
E Daniel percebeu que, finalmente, aquele hotel estava começando a se parecer com a promessa que Marina deixara escondida durante tantos anos:
um lugar onde ninguém precisava parecer importante para ser tratado como alguém que importava.