Meu Pai Me Expulsou do Natal, Mas Minha Avó Sabia de Tudo

os documentos que Rebeca preparou.

— Não vou assinar nada.

— É uma participação na empresa.

Você está transformando um assunto simples em uma guerra.

— Se é simples, envie tudo ao meu advogado.

Ele soltou uma risada amarga.

— Advogado? Eu sou seu pai.

— Uma coisa não substitui a outra.

A voz dele ficou fria.

— Ou você coopera, ou está fora desta família.

Olhei pela janela.

Bia dormia no sofá, abraçada a um ursinho antigo de Davi.

— Entendi — respondi.

Na véspera do Natal, fui à casa de minha avó.

Leonor estava em seu escritório, uma sala de paredes verdes, estantes antigas e fotografias de diferentes gerações.

Sobre a mesa havia um envelope grosso, fechado com cera vermelha.

Ela o colocou nas minhas mãos.

— Leve isto com você amanhã.

Não abra antes de precisar.

— Vovó, o que tem aqui?

— Algumas respostas.

E uma decisão que demorei muitos anos para tomar.

Sentei diante dela.

— A senhora pode simplesmente me contar.

Leonor olhou para uma fotografia do marido falecido.

— Durante muito tempo, pensei que proteger meus filhos significava impedir que enfrentassem as consequências dos próprios erros.

Seu pai aprendeu a confundir minha paciência com aprovação.

Ela enxugou os óculos com um lenço.

— Não vou repetir esse erro com você e Bia.

Foi então que explicou que Antônio estaria na propriedade no dia seguinte, caso fosse necessário apresentar formalmente determinados documentos.

— Você não deve provocar nenhuma discussão — orientou.

— Mas também não precisa aceitar humilhações.

Voltei para casa com o envelope na bolsa.

Não dormi bem naquela noite.

Na manhã de Natal, Bia acordou animada.

Escolheu um vestido azul com pequenas estrelas e perguntou se a bisavó faria os biscoitos de canela.

— Ela prometeu — respondi.

Enquanto prendia os cabelos da menina, percebi como ainda era pequena.

Oito anos.

Oito anos e já conhecia a experiência de perder alguém indispensável.

Eu não permitiria que aprendesse também que precisava aceitar crueldade para continuar pertencendo a uma família.

Chegamos à casa pouco depois das seis da tarde.

As janelas estavam iluminadas, uma guirlanda enorme decorava a porta e o cheiro de peru assado se espalhava pelo corredor.

Quinze parentes ocupavam a sala de jantar.

Rebeca usava um vestido verde-escuro.

Seu marido, Eduardo, estava perto da lareira.

Minha mãe havia escolhido a porcelana de ocasiões especiais.

Meu pai permanecia na cabeceira, recebendo cumprimentos como se fosse o proprietário de tudo aquilo.

— Finalmente chegaram — disse ele.

Bia tentou abraçar a avó Marta.

Minha mãe retribuiu o gesto rapidamente, sem se abaixar para olhar nos olhos dela.

— Vá lavar as mãos.

Procurei Leonor.

Rebeca respondeu antes que eu perguntasse.

— Vovó está descansando no escritório.

Não quer ser incomodada.

Achei estranho.

Leonor nunca deixava de receber Bia.

Mas permaneci em silêncio.

Durante os primeiros vinte minutos, a ceia pareceu uma reunião familiar comum.

Alguém comentou sobre o frio.

Uma tia perguntou pelos meus trabalhos de ilustração.

Eduardo falou de uma viagem que faria em janeiro.

Então Rebeca colocou uma pasta sobre a mesa.

— Helena, antes da sobremesa, podemos resolver aquela questão do investimento?

Meu coração acelerou.

— Não vim para discutir negócios.

— São apenas algumas assinaturas — respondeu.

Ela abriu a pasta e empurrou os papéis na minha direção.

Na

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