eu sabia que não era.
Ampliei a fotografia e reconheci uma pequena mancha azul próxima ao final do sobrenome.
Aquela marca estava presente numa autorização que eu havia assinado meses antes para Rafael retirar meu carro da oficina.
Eu havia fotografado o papel e enviado a ele.
A assinatura tinha sido copiada.
No fim do contrato, duas pessoas apareciam como testemunhas.
O irmão de Luísa e meu filho.
— Rafael, você assinou isso?
— Mãe, eu achei que era só uma formalidade.
— Uma formalidade para entregar minha casa a outras pessoas?
— A Luísa disse que conversaria com você depois.
Minha voz ficou firme.
— Depois de quê? Depois de colocar os pais dela dentro da minha casa?
Ele tentou responder, mas ouvi Luísa gritando ao fundo.
— Rafael, me dá esse telefone!
Seguiu-se um barulho de passos.
Então a voz dela surgiu, irritada.
— Celina, você está sendo cruel.
Meus pais entregaram o apartamento deles para novos inquilinos.
Eles precisam de um lugar para ficar, e você tem quatro quartos vazios.
— Você prometeu minha casa a eles?
— Eu estava tentando ajudar minha família.
— Com a minha propriedade e sem a minha autorização.
— Você não sabe o que é passar necessidade.
Fechei os olhos por um instante.
Lembrei-me das noites em que trabalhei até tarde, das contas médicas de Augusto, das prestações atrasadas e dos anos em que costurei roupas para economizar dinheiro.
— Sei muito bem, Luísa.
É justamente por isso que minha casa não está disponível para você oferecer a ninguém.
Ela soltou uma risada curta.
— Então você vai deixar duas pessoas de idade sem teto no Natal?
— Não fui eu quem prometeu uma casa que não possuía.
Ela desligou.
Minha primeira ligação foi para Ester.
A vizinha confirmou que havia um caminhão parado perto da garagem, vários carros ocupando a rua e pessoas discutindo diante da entrada.
O chaveiro já havia desistido do serviço depois de falar comigo e confirmar que ninguém presente tinha autorização para contratar a abertura da porta.
— Ninguém entrou, Celina — garantiu Ester.
— Eu estou observando daqui.
Se alguém tentar forçar a entrada, chamo a polícia.
Pedi que ela permanecesse em segurança dentro de casa e não discutisse com os visitantes.
Em seguida, telefonei para Beatriz.
Era Natal, mas ela atendeu depois de ouvir minha mensagem urgente.
Enviei o documento fotografado, as mensagens anteriores e os registros de que havia negado autorização para qualquer ocupação.
— Isso é sério — disse a advogada.
— O documento não dá a eles a propriedade da casa, mas o possível uso indevido da sua assinatura precisa ser apurado.
Preserve tudo e não aceite nenhum acordo improvisado por telefone.
Ela me orientou a enviar uma notificação escrita deixando claro que ninguém estava autorizado a entrar, morar ou realizar eventos no imóvel.
Também recomendou conservar os registros do sistema de segurança e procurar a polícia caso houvesse tentativa de invasão ou evidências de falsificação.
Segui as orientações.
Enquanto eu organizava os arquivos, recebi uma mensagem de um número desconhecido.
A pessoa se identificou como Cida, mãe de Luísa.
Eu a conhecia de encontros anteriores, mas nunca havíamos conversado particularmente.
A mensagem dizia que ela estava na calçada, sentada no banco do caminhão, e precisava me perguntar algo.
Liguei.
—