homem que revisara o pacto patrimonial dela.
“Não”, Clara murmurou.
Renata assentiu.
“Lucas não fez isso sozinho.”
A próxima revelação veio rápido demais.
Segundo Renata, Rafael vinha alterando documentos e criando estruturas jurídicas para esconder os empréstimos.
Sérgio descobrira parte do esquema durante uma auditoria interna.
Quando ameaçou contar a Augusto, Lucas o acusou primeiro de desvio financeiro e conseguiu afastá-lo.
“Meu pai sabia?”, Clara perguntou.
Renata hesitou.
“Ele sabia que havia problemas.
Não sei se sabia das falsificações.”
“E minha mãe?”
“Não faço ideia.”
André apontou para a mensagem.
“E a bebida?”
Renata ficou pálida.
“Eu ouvi Lucas falando com Rafael ontem.
Rafael disse que bastava Clara parecer embriagada e confusa.
Lucas comentou sobre gotas que fariam efeito rápido com álcool.
Eu achei que ele estivesse blefando.”
“Você achou?”
“Eu estava com medo.”
Clara fechou os olhos por um momento.
Medo explicava muita coisa.
Não apagava a escolha de permanecer em silêncio.
“Você vai contar isso para a polícia?”
Renata respirou fundo.
“Vou.”
Antes que pudessem continuar, alguém tentou abrir a porta.
A maçaneta se moveu com força.
“Clara”, disse a voz de Augusto.
“Abra.”
André ficou ao lado da porta.
“Ele está sozinho?”
Renata olhou pelo olho mágico.
“Não.
Rafael está com ele.”
Clara sentiu o sangue gelar.
“Perfeito.”
Ela pegou o celular e começou a gravar áudio.
Depois abriu a porta.
Augusto entrou primeiro.
Rafael veio atrás, impecavelmente vestido, mesmo depois do caos.
Quando viu Renata, perdeu a expressão por um segundo.
Foi suficiente.
“O que ela está fazendo aqui?”
Clara cruzou os braços.
“Contando a verdade.”
Rafael recuperou o sorriso profissional.
“Clara, esta foi uma noite traumática.
É melhor não tomar decisões com base em interpretações emocionais.”
Lá estava de novo.
Emocionais.
Dessa vez, a palavra não a atingiu.
Clara colocou uma cópia do contrato diante dele.
“Minha assinatura é falsa.”
Rafael nem olhou.
“Isso precisa ser analisado tecnicamente.”
Ela colocou outro documento.
“E este?”
“Mesma coisa.”
Depois mostrou as mensagens impressas.
Rafael empalideceu.
Augusto pegou uma das folhas.
Leu lentamente.
Seu rosto se transformou.
“Rafael.”
“Augusto, precisamos ter cuidado.
Sérgio é um ex-funcionário ressentido.”
“Você escreveu isso?”
“Não podemos autenticar uma impressão.”
Renata falou então.
“Eu vi mensagens no telefone de Lucas.”
Rafael virou-se para ela.
“Você não sabe do que está falando.”
“Eu sei que você mandou Lucas buscar a pasta no quarto de Clara depois que ela estivesse dopada.”
O silêncio ficou pesado.
Augusto encarou Rafael.
“Dopada?”
Pela primeira vez, Clara percebeu que o pai realmente não sabia daquela parte.
Rafael olhou para a porta.
André percebeu.
“Nem pense em sair levando nada.”
Rafael soltou uma risada curta.
“Vocês estão criando uma acusação criminal em cima de documentos cuja origem não podem provar.”
Clara levantou o celular.
“Então vamos deixar as autoridades decidirem.”
Rafael ficou imóvel.
“Você está gravando?”
“Estou preservando uma conversa da qual participo.”
Augusto soltou as folhas sobre a mesa.
“Você me disse que Sérgio estava roubando.”
Rafael não respondeu.
“Você me mostrou relatórios.”
“Lucas me entregou informações.
Eu trabalhei com o material disponível.”
Renata riu, amarga.
“Agora vai colocar tudo no Lucas?”
Rafael perdeu a calma.
“Seu marido criou esse desastre.
Eu estava tentando impedir a empresa de quebrar.”
A frase caiu na sala como uma confissão.
Ninguém falou por alguns segundos.
André foi o primeiro.
“Obrigado.
Pode repetir?”