mão à barriga.
— Vicente, você prometeu que não viria.
Ele parou ao lado da mesa dos presentes.
— Também prometi a mim mesmo que não começaria a vida do meu filho com uma mentira.
O salão ficou silencioso.
Augusto riu, desconfiado.
— Do seu filho?
Vicente ergueu os olhos.
— Augusto, eu sou o pai biológico do bebê que Joana está esperando.
Alguém deixou cair uma colher.
Uma convidada levou a mão à boca.
Joana começou a chorar.
Augusto deu dois passos em direção ao irmão.
— Você está mentindo.
— Fizemos um teste de paternidade.
Joana participou voluntariamente.
Eu tenho a documentação.
Ele mostrou o envelope fechado ao irmão.
Augusto abriu o relatório e leu.
Seu rosto ficou rígido.
— Isso pode ser falsificado.
— Você pode verificar sua autenticidade junto ao laboratório, pelos meios adequados — Vicente respondeu.
— Não estou pedindo que acredite apenas na minha palavra.
Joana tentou segurá-lo pelo braço.
— Você está destruindo tudo!
Ele se afastou delicadamente.
— Não.
Nós destruímos a confiança uns dos outros quando começamos a mentir.
Augusto virou-se para mim.
— Você organizou isso por vingança!
— Eu não fiz Joana se envolver com seu irmão — respondi.
— Também não escondi os exames médicos de você durante o nosso casamento.
Pela primeira vez, vi Augusto perder completamente a capacidade de improvisar.
Beatriz levantou-se da cadeira.
— Augusto, explique o que está acontecendo.
Ele evitou olhar para a mãe.
Vicente respirou profundamente.
— Ainda existe outra coisa que a senhora precisa saber.
Retirou da pasta uma folha que havia impresso naquela manhã.
Era uma correspondência empresarial enviada por Augusto a um consultor próximo da família.
A mensagem havia sido encontrada durante a análise autorizada dos registros corporativos aos quais Vicente tinha acesso no exercício de suas funções.
Seu conteúdo indicava que Augusto conhecia o próprio histórico de infertilidade e estava preocupado em manter a imagem de pai biológico diante da família.
Mais importante, fazia referência à oportunidade de consolidar sua candidatura à presidência do grupo depois do nascimento do menino.
Beatriz leu a mensagem.
A mão que segurava a bengala começou a tremer.
— Você sabia que essa criança talvez não fosse sua biologicamente?
Augusto permaneceu calado.
— Responda, Augusto.
— Mãe, não é tão simples.
— Então explique.
Ele passou a mão pelos cabelos.
— O pai sempre quis que eu tivesse uma família.
Sempre falou de sucessão, de responsabilidade, de continuidade.
Eu sabia que o exame antigo tinha dado problemas, mas poderia haver outras possibilidades.
— E você conversou com Joana sobre isso? — perguntei.
Augusto olhou para ela.
Joana pareceu surpresa.
— Você sabia dos seus exames? — perguntou.
— Não começa, Joana.
— Você me disse que nunca tinha feito investigação nenhuma!
A discussão revelou que os dois haviam construído versões diferentes da própria história, cada uma destinada a manipular a outra pessoa.
Joana admitiu que procurara Vicente porque suspeitava de sua paternidade.
Augusto reconheceu que tinha conhecimento de seu diagnóstico, mas afirmou que pretendia assumir a criança independentemente da biologia.
Assumir uma criança que não é biologicamente sua não seria, por si só, algo errado.
Poderia ser uma escolha legítima de amor e responsabilidade.
O problema era que Augusto estava utilizando uma falsa narrativa para ganhar vantagens familiares, enquanto Vicente, o provável pai