são apenas as escolhas dele.
Colocou sobre a mesa um relatório laboratorial.
Na primeira página estavam os nomes dele e de Joana.
Na última, o resultado de um teste de paternidade pré-natal não invasivo realizado por um laboratório especializado, com participação voluntária de ambos.
A probabilidade indicada era superior a 99,99%.
Fiquei olhando o papel por vários segundos.
— Joana está grávida de você?
Vicente assentiu.
— Ela começou a me procurar alguns meses depois de se casar com Augusto.
Dizia que estava infeliz, que ele era controlador e que eu era o único homem da família que a escutava.
— E você acreditou?
— Eu queria acreditar.
Ele contou que o relacionamento durara alguns meses.
Quando Joana descobriu a gravidez, afirmou inicialmente que a criança era de Augusto.
Depois, procurou Vicente em segredo.
Disse que as datas não coincidiam e que precisava descobrir a verdade antes do nascimento.
Os dois realizaram o teste.
Quando receberam o resultado, Joana implorou que ele permanecesse calado.
— Ela disse que Augusto assumiria a criança e que seria melhor para todos — Vicente explicou.
— Prometeu que me deixaria acompanhar o menino como tio.
Olhei para ele com incredulidade.
— E você aceitou que seu filho fosse criado sem saber a verdade?
— Por alguns dias, aceitei.
Depois comecei a perceber que havia coisas ainda piores acontecendo.
Vicente abriu outra pasta.
Dentro havia registros de transferências bancárias empresariais, cópias de contratos e uma planilha detalhada.
Reconheci o nome de um projeto que eu mesma havia criado: Galeria Arcos.
Era a restauração de um antigo edifício comercial no centro de Campinas, um trabalho que renderia ao Ateliê Aurora uma remuneração expressiva.
Durante o divórcio, Augusto afirmara que o contrato havia sido cancelado e que os adiantamentos precisariam ser devolvidos.
Mas aqueles documentos mostravam outra história.
O contrato continuara ativo.
Os pagamentos haviam sido recebidos.
E parte dos valores fora transferida para uma empresa de consultoria registrada em nome de Joana.
O total das transferências suspeitas ultrapassava oitocentos mil reais.
— Eu comecei a desconfiar quando Augusto pediu que eu classificasse alguns pagamentos como despesas extraordinárias — Vicente disse.
— Depois encontrei documentos assinados em seu nome.
Ele me mostrou uma autorização para alienação de direitos relacionados ao projeto.
Havia uma assinatura atribuída a mim.
A data era imediatamente reconhecível.
Naquele dia, eu estava em Belo Horizonte, acompanhando uma cirurgia de minha mãe.
Tinha passagens, registros de internação e mensagens que comprovavam onde eu estava.
— Eu nunca assinei isso.
— Eu sei — ele respondeu.
Naquele instante, entendi que a traição não terminara quando saí de casa.
Augusto e Joana não haviam apenas roubado minha confiança.
Havia indícios de que também tinham escondido patrimônio e usado meu nome para realizar operações financeiras.
Mas ainda faltava uma resposta.
— Por que está me contando tudo agora?
Vicente demorou a falar.
— Porque meu irmão sabe que não pode ser o pai daquela criança.
E porque encontrei mensagens mostrando que ele pretende usar o nascimento para conseguir a presidência definitiva da holding da família.
Expliquei que já possuía uma cópia dos antigos exames médicos de Augusto.
Vicente pareceu surpreso.
— Então você já conhece metade da mentira.
Ele contou que o pai deles, Artur Amaral, era um empresário tradicional e profundamente preocupado com a sucessão da