concordou.
Disse que já havia procurado orientação jurídica sobre o reconhecimento da paternidade depois do nascimento e que estava disposto a oferecer apoio financeiro e emocional à criança.
Então preparei o presente.
Encontrei numa loja de antiguidades um pequeno móbile de madeira, com três pássaros pendurados em fios delicados.
Restaurei a peça pessoalmente, lixando as bordas e pintando as asas com tons suaves de azul e branco.
Acompanhei o brinquedo com uma carta para o bebê.
Escrevi que ele merecia crescer cercado de amor, sem precisar carregar os erros dos adultos.
Dentro de um envelope separado, coloquei uma carta destinada exclusivamente a Joana, pedindo que ela dissesse a verdade antes da celebração pública da paternidade.
Não coloquei cópias do exame dentro da caixa.
Vicente levaria seus próprios documentos e decidiria como apresentá-los.
Na manhã do chá de bebê, vesti um vestido verde-escuro, prendi os cabelos e saí de casa sem pedir coragem a ninguém.
O Solar Amaral estava decorado com flores brancas, velas e centenas de balões azuis.
Havia fotógrafos, convidados da sociedade local e parceiros comerciais do grupo empresarial.
Joana estava perto da mesa principal, usando um vestido claro que destacava a barriga de seis meses.
Quando me viu, abriu um sorriso tão artificial que quase senti pena.
— Elisa! Eu não acredito que você veio!
— Você fez questão de me convidar.
Ela examinou minha roupa, depois a caixa em minhas mãos.
— Que lindo.
Você trouxe um presente.
— Fiz com minhas próprias mãos.
Augusto apareceu atrás dela.
Estava de terno cinza, segurando uma taça.
— Elisa — disse, com o tom de quem encontrara uma conhecida distante.
— Espero que você esteja bem.
— Estou melhor do que imagina.
Ele pareceu incomodado com minha tranquilidade.
Uma hora depois, Beatriz Amaral reuniu os convidados para abrir os presentes.
Beatriz era uma mulher elegante, de cabelos grisalhos perfeitamente arrumados, que sempre colocara a reputação familiar acima de qualquer desconforto pessoal.
Durante meu casamento, raramente me defendia dos comentários de Augusto.
Naquele dia, fez um discurso emocionado sobre o primeiro neto que acreditava estar chegando por meio do filho mais velho.
— Esta criança representa a continuidade da nossa família — declarou.
Os convidados aplaudiram.
Augusto ergueu a taça.
Joana sorriu para as câmeras.
Então chegou a minha caixa.
— Este é um presente especial — Joana anunciou.
— Veio da Elisa, que conhece nossa história melhor do que ninguém.
Algumas pessoas trocaram olhares constrangidos.
Ela retirou o móbile de madeira.
Por um instante, pareceu genuinamente encantada.
— Que delicado!
Depois encontrou os dois envelopes.
Abriu o primeiro, destinado ao bebê, e leu algumas linhas em silêncio.
Seu sorriso perdeu a firmeza.
Pegou o segundo envelope.
Leu a carta dirigida a ela.
A expressão mudou completamente.
— O que significa isso? — perguntou, quase sem voz.
Augusto se inclinou para observar.
— O que ela escreveu?
Joana dobrou o papel depressa.
— Nada.
Uma mensagem pessoal.
Ela tentou guardar a carta, mas já havia chamado a atenção de todos.
Augusto se virou para mim.
— Você veio causar problemas?
— Vim oferecer a Joana a oportunidade de dizer a verdade.
— Que verdade?
Antes que eu respondesse, a porta lateral do salão se abriu.
Vicente entrou.
Usava uma camisa azul-marinho e carregava uma pasta preta.
Joana imediatamente levou a