No Natal, Ela Expôs a Traição — Mas o Último Documento Mudou Tudo

— Você desviou dinheiro da nossa conta para sustentar sua amante.

— Eu ia devolver.

— Com o quê?

— Meus negócios estão crescendo.

— Seus negócios estão endividados.

Ele congelou.

Aquilo não estava entre os documentos da investigadora.

Clara sabia havia meses.

Gabriel administrava uma pequena empresa de reformas comerciais.

Sempre se gabava de que as coisas iam muito bem, mas duas ligações de cobrança haviam chegado no telefone fixo da casa.

Quando Clara perguntou, ele disse que eram erros administrativos.

Agora tudo fazia sentido.

Augusto olhou para o filho.

— Você está devendo dinheiro?

Gabriel passou a mão pelo cabelo.

— Isso não tem nada a ver com vocês.

— Tem a ver com Clara — disse Augusto.

— E você retirou dinheiro da conta dela.

Gabriel virou-se para a esposa.

— Vamos conversar no escritório.

— Não.

— Clara.

— Você decidiu discutir meu atraso na frente de todos.

Agora pode discutir o resto na frente de todos também.

A raiva apareceu no rosto dele.

Durante anos, Clara conhecera aquele olhar.

Era o olhar que fazia a discussão terminar.

Gabriel nunca precisara bater nela.

Nunca precisara ameaçá-la fisicamente.

Bastava tornar o ambiente tão desconfortável que Clara começava a duvidar de si mesma.

Dessa vez, ela não desviou.

— Você quer mesmo continuar? — ele perguntou.

— Quero.

Clara retirou o último documento do envelope.

Um registro de propriedade.

— Explique isso.

Ele não tocou no papel.

Clara continuou.

— Seis meses atrás, um apartamento foi comprado no Residencial Aurora.

A entrada veio de valores rastreados através da empresa de Bianca.

Teresa sussurrou:

— Um apartamento?

— Em nome de Daniela Moura e Gabriel Ribeiro.

O silêncio pareceu engolir a sala.

Gabriel fechou os olhos.

Clara sentiu algo dentro dela quebrar, mas não era o coração.

Era a última ilusão.

Aquilo não era apenas uma aventura.

Ele havia comprado um imóvel com a amante.

Usando o dinheiro do casamento.

— Você estava construindo outra vida — disse Clara.

— Não era assim.

— Então como era?

Gabriel abriu a boca e não encontrou resposta.

Bianca encontrou por ele.

— Ele disse que ia se separar de você depois do Ano-Novo.

Clara virou-se devagar.

— O quê?

Gabriel encarou a irmã.

— Você não tinha direito de dizer isso.

— E você tinha direito de fazer?

Clara sentiu um arrepio que nada tinha a ver com a neve lá fora.

— Você ia me deixar?

Gabriel respirou fundo.

— Eu estava tentando decidir.

— Enquanto me dizia que queria ter filhos comigo.

Ele desviou os olhos.

A lembrança atingiu Clara com violência.

Duas semanas antes, Gabriel havia perguntado se ela ainda guardava os exames de fertilidade que fizeram no começo do ano.

Na época, ela interpretara como esperança.

Agora parecia crueldade.

— Por quê? — perguntou.

— Porque as coisas entre nós não estavam boas havia muito tempo.

— Não estavam boas porque você passou dezesseis meses vivendo uma vida dupla.

— Não coloca tudo em mim.

Clara riu, sem humor.

— Você está realmente tentando dividir comigo a responsabilidade pela sua amante?

Teresa interveio.

— Gabriel, pare.

Ele olhou para a mãe, surpreso.

Talvez esperasse que ela o defendesse como sempre fizera.

Teresa parecia abatida.

— Você fez isso?

— Mãe…

— Responda.

— Sim.

Foi a primeira

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