decidido?
— Eles vão ficar.
Você pode usar o apartamento da Bianca.
Não vamos discutir isso hoje.
— Você está me dizendo que eu devo sair da minha casa?
— Estou dizendo que precisamos pensar como família.
Eu ainda segurava uma taça de espumante.
Coloquei-a sobre a mesa antes que minhas mãos começassem a tremer.
— Família não é uma palavra que transforma propriedade alheia em bem coletivo.
O salão estava praticamente silencioso quando meu telefone vibrou.
Vi o nome de Augusto na tela.
Augusto administrava a propriedade havia sete anos.
Cuidava dos fornecedores, dos funcionários que apareciam duas vezes por semana e de pequenos reparos.
Ele nunca me ligava durante eventos familiares a menos que houvesse um problema sério.
Atendi.
— Dona Helena, temos uma situação aqui.
— Estou ouvindo.
— Chegaram dois caminhões de mudança.
Três pessoas dizem que vão morar na casa principal.
Eu mandei interromper o descarregamento porque ninguém me avisou.
Olhei para Rafael.
— Eles entraram?
— Tinham uma cópia da chave lateral e o código antigo do portão.
Conseguiram entrar antes que eu chegasse.
Já colocaram caixas em dois quartos.
Meu estômago se contraiu.
— Mais alguma coisa?
Augusto hesitou.
— O motorista me mostrou o contrato de serviço.
Rafael assinou no espaço identificado para o proprietário do imóvel.
Eu coloquei a ligação no viva-voz.
— Augusto, repita isso.
Ele repetiu.
Quando desliguei o viva-voz, o rosto de Rafael estava completamente branco.
Bianca virou-se para ele.
— Você disse que a propriedade já estava no seu nome.
Foi quando a história começou a mudar.
Até aquele momento, eu acreditava que Bianca e sua família simplesmente tinham decidido se aproveitar de mim.
Ainda havia arrogância envolvida.
Bianca havia anunciado minha mudança sem me consultar.
Celso e Denise haviam entrado em minha casa sem confirmar comigo pessoalmente.
Nada disso desaparecia.
Mas Rafael era o centro da mentira.
— Eu disse que ela seria minha — ele respondeu.
— Você disse que ela já era sua — Bianca rebateu.
— É praticamente a mesma coisa.
— Não é — respondi.
— Especialmente porque eu não pretendo morrer para facilitar seu planejamento imobiliário.
Alguns convidados desviaram o olhar.
Rafael apertou a mandíbula.
— Mãe, precisamos conversar em particular.
— Não.
Primeiro, preciso impedir que continuem entrando na minha casa.
Pedi a Augusto que interrompesse todo o descarregamento, mantivesse os caminhões no pátio e chamasse a empresa de segurança que atendia a propriedade.
Ninguém deveria tocar em caixas já colocadas na casa até eu chegar.
Então uma voz surgiu ao fundo da ligação.
Era Celso.
Ele pediu para falar comigo.
— Senhora Helena, Rafael nos garantiu que estava tudo autorizado.
— Não estava.
— Nós não teríamos vendido nosso apartamento se soubéssemos disso.
A frase me chamou a atenção.
— Vocês venderam a residência de vocês por causa dessa mudança?
— Sim.
Rafael disse que a propriedade seria transferida para ele depois do casamento.
Bianca ficou imóvel.
Celso continuou:
— Também transferimos sessenta e oito mil reais para a reforma da ala de hóspedes.
Bianca se virou para Rafael tão rapidamente que o véu preso ao penteado balançou.
— Que dinheiro é esse?
Rafael não respondeu.
— Pai, para quem vocês transferiram?
— Para a conta indicada pelo Rafael.
— Você me disse que eles estavam pagando os empreiteiros