nome foi associado a uma condecoração.
O juiz Thomas Reed tolerou as primeiras provocações com frieza.
Na terceira, avisou Roberto de que seria removido.
Camila continuou.
“Helena sempre soube criar histórias”, disse.
“Ela gosta que as pessoas tenham pena dela.”
Senti os músculos do meu maxilar endurecerem.
Então ela disse que Augusto tinha medo de mim.
Essa mentira foi a mais difícil.
Não porque tivesse valor jurídico.
Porque era pessoal.
Augusto me conhecia quando eu não conseguia dormir.
Conhecia as vezes em que eu evitava multidões.
Conhecia o silêncio que me acompanhou depois do serviço.
Ele nunca teve medo de mim.
Tinha medo por mim.
Quando o juiz perguntou se eu possuía provas do meu histórico, respondi que sim.
Sofia abriu o envelope lacrado.
Antes que ela entregasse os documentos, pedi permissão para mostrar parte das cicatrizes no meu braço.
Não porque precisasse convencer o tribunal por emoção.
Mas porque Camila havia afirmado que minhas lesões eram falsas.
Arregacei a manga.
A reação na sala foi imediata.
Uma prima desviou os olhos.
Outra cobriu a boca.
Camila ficou imóvel.
Roberto parou de sorrir.
Depois vieram os documentos.
Ordens de destacamento.
Avaliações.
Registros hospitalares.
Certificações.
Relatórios médicos.
Confirmações oficiais.
O juiz examinou um por um.
Na quarta página, sua expressão mudou.
Na sexta, tirou os óculos.
Na oitava, olhou para Camila.
“A senhora declarou que não existia confirmação oficial desses períodos.”
“Foi o que me disseram.”
“Quem?”
Ela olhou para Roberto.
Ele deixou de sorrir pela segunda vez naquela manhã.
Sofia então apresentou o relatório bancário.
Explicou que os extratos usados pela acusação tinham sido cortados de maneira a ocultar a identificação completa dos cartões.
Mostrou os registros de compra.
Mostrou os locais.
Mostrou as datas.
O juiz comparou as cópias.
“Alguém modificou o material apresentado a este tribunal.”
O advogado de Camila tentou pedir um intervalo.
O juiz recusou.
Foi então que Roberto se levantou dizendo que precisava ir ao banheiro.
O oficial de justiça bloqueou a passagem.
As portas foram fechadas.
Sofia apresentou a auditoria de Augusto.
Quarenta e sete transferências apareciam ligadas a uma conta no nome de Camila.
Ela empalideceu.
“Eu nunca administrei essas contas.”
O juiz apontou para o próprio registro do depoimento.
“A senhora já disse isso sob juramento.”
Sofia levantou o pen drive.
“Meritíssimo, existe uma declaração gravada do senhor Augusto Duarte.”
O advogado de Camila protestou.
O juiz analisou a certificação.
Depois autorizou a reprodução.
A tela da sala acendeu.
E Augusto apareceu sentado na cozinha da pousada.
Por alguns segundos, esqueci o tribunal.
Esqueci Camila.
Esqueci Roberto.
Só vi meu tio.
Ele usava o velho suéter cinza.
Uma caneca azul estava diante dele.
A névoa cobria o lago ao fundo.
“Meu nome é Augusto Duarte”, começou.
“Faço esta declaração porque imagino que algumas pessoas tentarão contestar meu testamento.”
Camila baixou os olhos.
“Helena não me obrigou a nada.
Não me convenceu com histórias militares.
Na verdade, raramente fala sobre o serviço.
Eu mudei meu testamento por outro motivo.”
Ele ergueu uma pasta.
“Descobri que dinheiro estava desaparecendo da pousada.”
Roberto levantou-se.
“Ele estava doente!”
O juiz ordenou que se sentasse.
Augusto continuou na gravação.
Explicou que pequenas diferenças financeiras haviam começado anos antes.
Primeiro pensou em erros contábeis.
Depois contratou um profissional.
“Os mesmos nomes continuavam aparecendo”, disse.
Ele identificou Camila e