Minha Filha Quis Me Declarar Incapaz e Tomar Minha Empresa

consegui evitar uma tristeza quase física ao ouvir aquela pergunta.

Não era surpresa com minha lucidez.

Era surpresa com meu poder.

— Você achava que eu possuía quanto? — perguntei.

Ela não respondeu.

César continuou.

— Há também correspondência do escritório do senhor Augusto relacionada a uma potencial ação de interdição.

— Ele estava pesquisando opções! — Renata disparou.

— Baseado em informações falsas — respondi.

Foi então que Patrícia Nunes, diretora de recursos humanos, começou a chorar.

Todos olharam para ela.

— Patrícia? — perguntou Samuel.

Ela apertou as mãos sobre a mesa.

— Eu preciso falar.

Renata virou o rosto lentamente.

— Não precisa.

A frase saiu baixa.

Patrícia levantou os olhos.

— Preciso, sim.

Ela explicou que Renata lhe pedira um relatório confidencial contendo qualquer incidente que demonstrasse meu suposto declínio: esquecimentos, ordens contraditórias, reuniões perdidas, comentários estranhos.

— Eu disse que não havia nada relevante — Patrícia contou.

— Ela respondeu que eu deveria observar melhor.

— Você está exagerando — Renata disse.

— Não estou.

Patrícia então tirou o celular da bolsa.

— Guardei as mensagens.

Renata ficou imóvel.

Patrícia encaminhou as conversas para César.

Em uma delas, Renata escrevera que a futura liderança precisava de pessoas leais.

Em outra, dizia que seria útil construir um histórico antes de qualquer medida judicial.

O conselho já tinha motivos suficientes para suspender imediatamente a autoridade executiva dela.

Mas Otávio Braga ainda não havia falado.

Ele abriu o notebook.

— Helena, há mais uma questão.

Na semana anterior, uma subsidiária responsável pela logística pagara 1,8 milhão de reais a uma consultoria chamada AF Estratégia Empresarial.

— Por quê? — perguntei.

— O lançamento descreve reestruturação operacional.

— Houve contrato?

— Existe um contrato inserido no sistema, aprovado pela vice-presidência.

Renata fechou os olhos por um instante.

Perguntei quem era o proprietário da consultoria.

Otávio respondeu:

— Fábio Ferraz.

O irmão de Augusto.

A sala ficou completamente silenciosa.

— O serviço foi prestado? — perguntei.

— Estamos verificando.

Até agora, não encontramos entregáveis compatíveis com o valor.

Renata começou a falar depressa.

— Isso não tem relação com a discussão sobre você.

Fábio presta consultoria legítima.

O contrato passou por compras.

— Quem indicou o fornecedor?

— Eu.

— Quem aprovou a exceção de concorrência?

Ela hesitou.

— Eu.

— Quem autorizou o primeiro pagamento?

Nenhuma resposta.

Otávio virou outra página.

— Ela autorizou.

Samuel interrompeu imediatamente qualquer discussão adicional sobre culpa.

— Não vamos transformar esta sala em tribunal.

Precisamos preservar documentos, suspender acessos pertinentes e solicitar auditoria independente.

Era exatamente o que deveria acontecer.

Eu não queria vingança improvisada.

Queria fatos verificáveis.

Naquele mesmo dia, o conselho aprovou por unanimidade o afastamento cautelar de Renata de suas funções, sem conclusão antecipada sobre responsabilidade.

A empresa contratou auditores externos para revisar contratos aprovados por ela nos últimos dois anos.

Augusto telefonou para mim dezessete vezes.

Não atendi.

Na décima oitava ligação, deixei César atender.

Três dias depois, Renata apareceu na minha casa.

Eu estava no jardim, podando as roseiras que Ricardo plantara.

Ela saiu do carro usando óculos escuros, embora o céu estivesse nublado.

— Precisamos conversar.

— Podemos conversar aqui.

— Dentro.

— Aqui está bom.

Ela olhou para a rua como se temesse que alguém nos visse.

— Você está destruindo minha carreira por causa de

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