Minha Filha Quis Me Declarar Incapaz e Tomar Minha Empresa

o controle.

Então liguei para Otávio Braga, nosso diretor financeiro.

— Otávio, Renata perguntou sobre minha participação acionária?

Do outro lado da linha houve uma pausa curta.

— Perguntou.

— Quando?

— Algumas vezes nos últimos dois meses.

— E Augusto?

— Também.

— O que você respondeu?

— Que assuntos da holding deveriam ser tratados com você ou com César.

Respirei lentamente.

— Há mais alguma coisa que eu precise saber?

Otávio hesitou.

Foi um daqueles silêncios que carregam informação antes mesmo das palavras.

— Talvez haja.

Ele explicou que Renata havia convocado uma reunião extraordinária do conselho para a manhã de terça-feira.

O título do documento era Transição Executiva Imediata.

Meu nome não aparecia na lista inicial de convidados.

— Envie a convocação para César — pedi.

Depois telefonei para o presidente do conselho, Samuel Farias.

— Samuel, estarei presente.

— Helena, é claro.

— Não avise Renata.

Na noite anterior à reunião, recebi outra ligação.

Era César.

— Encontramos algo.

Seu tom me fez sentar.

O escritório de Augusto havia solicitado informações a uma clínica privada sobre procedimentos para produzir uma avaliação emergencial de capacidade mental.

O pedido não era ilegal em si, mas estava acompanhado de uma descrição informal de supostos episódios meus de confusão, esquecimento e gastos irracionais.

Nada daquilo era verdade.

— De onde vieram os relatos?

— Ainda não sabemos.

— Amanhã saberemos.

Às 8h47 da manhã, entrei na sede da Duarte & Vale usando o casaco barato que Renata escolhera para mim.

A recepcionista levantou-se imediatamente.

— Dona Helena!

Sorri e coloquei um dedo sobre os lábios.

César caminhava ao meu lado com uma pasta azul.

Quando abrimos a porta da sala principal, Renata estava diante de uma tela, apresentando uma sequência de slides.

— …permitirá uma transição sem instabilidade e protegerá a companhia durante o período de reorganização familiar — dizia ela.

Então me viu.

Seu rosto congelou.

— Mãe?

— Bom dia.

Samuel Farias, presidente do conselho, levantou-se.

— Helena.

Por favor.

Caminhei até a mesa, tirei o casaco e o dobrei sobre uma cadeira.

— Continue, Renata.

Estou curiosa para saber qual função reservou para mim na reorganização da empresa que fundei.

Ela recuperou a voz.

— Não era necessário você vir pessoalmente.

— Isso parece depender do que você pretende decidir em meu nome.

César colocou a pasta sobre a mesa.

Samuel abriu a reunião formalmente.

— Antes de prosseguirmos, preciso esclarecer um ponto.

Renata, seu marido solicitou documentos relacionados a uma possível interdição de Helena?

Ela empalideceu.

— Essa é uma interpretação distorcida.

— Então explique a interpretação correta — respondi.

Renata cruzou os braços.

— Estamos preocupados com você.

— Quem é estamos?

— Eu e Augusto.

Você mora sozinha.

Quase não vem à empresa.

Está tomando decisões financeiras sem conversar conosco.

— Não tenho obrigação de conversar com vocês sobre minhas decisões financeiras particulares.

— Eu sou sua filha.

— Exatamente.

César abriu a pasta.

Primeiro colocou sobre a mesa minha avaliação cognitiva.

Depois, documentos recentes confirmando minhas instruções patrimoniais.

Em seguida, uma certidão atualizada da estrutura societária.

— Para evitar qualquer confusão — disse César — a senhora Helena Duarte permanece plenamente capaz, legalmente ativa e titular de 78% da DVA Participações, controladora da Duarte & Vale.

Renata piscou.

— Setenta e oito?

Não

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