Meu Pai Exigiu Meu Apartamento — Então o Banco Revelou Seu Segredo

isso.

Por alguns segundos, não consegui falar.

Ele realmente acreditava na própria lógica.

— O mestrado da Camila custa duzentos e oitenta mil reais?

Seu olhar desviou.

Essa foi a segunda pista.

— Existem outras despesas.

— Quais?

— Não importa.

— Importa quando você falsifica minha assinatura.

Ele se aproximou um passo.

— Sua mãe pode perder a casa.

Fiquei imóvel.

— O quê?

— A empresa teve problemas.

Eu estou resolvendo.

— Que problemas?

— Problemas que não dizem respeito a você.

Eu quase ri.

— Você tentou hipotecar meu apartamento e os problemas não dizem respeito a mim?

Ele apertou o maxilar.

— Preciso de alguns dias.

Não registre nada na polícia ainda.

— Você me bateu porque eu não quis vender minha casa para um mestrado que nem custa esse valor.

— Eu precisava que você entendesse a gravidade da situação.

— Não.

Você precisava que eu obedecesse.

Pela primeira vez, ele ficou quieto.

Passei por ele.

— Marina.

Continuei andando.

— Se você fizer uma denúncia, tudo pode desmoronar.

Parei sem me virar.

— Então talvez você devesse ter pensado nisso antes de usar meu nome.

Naquela tarde, liguei para Camila.

Ela atendeu imediatamente.

— Marina, eu estava tentando falar com você.

— Quanto custa seu mestrado?

Ela hesitou.

— Por quê?

— Quanto?

Ela me disse.

O valor total, mesmo sem a bolsa parcial que conseguira, era muito inferior ao empréstimo solicitado.

— O pai tentou conseguir duzentos e oitenta mil no meu nome.

— O quê?

Contei tudo.

Camila ficou em silêncio.

Depois começou a falar depressa.

— Eu juro que não sabia.

Eu nem tinha decidido se ia.

E consegui uma bolsa de quarenta por cento.

— Você sabia dos problemas da empresa?

— Só de algumas coisas.

— Que coisas?

Ela respirou fundo.

— Uns dois meses atrás, fui ao escritório imprimir um projeto.

O pai estava discutindo com alguém pelo telefone.

Ele disse que precisava ganhar tempo antes de uma execução.

— Execução do quê?

— Não sei.

Depois encontrei várias cartas de cobrança na mesa.

— Por que não me contou?

— Porque ele disse que estava tudo sob controle.

A frase era tão típica de nosso pai que quase doeu.

Naquela noite, minha mãe apareceu no meu apartamento.

Quando abri a porta, Teresa segurava um envelope pardo contra o peito.

— Seu pai não sabe que eu estou aqui.

— Isso não é uma boa maneira de começar uma conversa.

Ela olhou para o corredor.

— Posso entrar?

Deixei.

Ela ficou parada no meio da sala ainda quase vazia.

Observou as caixas empilhadas, o sofá usado que eu comprara dois dias antes e uma planta pequena perto da janela.

— É bonito — disse.

— Obrigada.

Ela começou a chorar em silêncio.

Não fui abraçá-la.

— Mãe, o que tem no envelope?

Ela o colocou sobre a mesa.

— Documentos da empresa.

Sentei.

— Que documentos?

— Seu pai começou a ter problemas financeiros anos atrás.

Primeiro eram atrasos.

Depois empréstimos.

Depois um empréstimo para pagar outro.

— Há quanto tempo?

Ela abaixou a cabeça.

— Quase cinco anos.

Cinco anos.

O mesmo período em que eu estivera ajudando cada vez mais nas despesas familiares.

Abri o envelope.

Havia notificações bancárias, cópias de contratos e uma planilha impressa.

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