Meu Pai Exigiu Meu Apartamento — Então o Banco Revelou Seu Segredo

por que eu sempre tenho que fazer tudo de novo?

— Porque família exige sacrifício.

— Sacrifício de quem?

Ele estreitou os olhos.

Eu continuei.

— Paguei parte do computador dela.

Ajudei com aluguel.

Curso.

Passagem.

Emergências.

Quando é que alguém aqui pergunta o que eu preciso?

— Você está fazendo uma contabilidade do que fez pela própria irmã?

— Estou fazendo uma contabilidade da minha vida.

Ele bateu a mão na mesa.

— Chega.

Levantei.

— Concordo.

Peguei a bolsa.

— Você vai colocar o apartamento à venda amanhã — ele disse.

— Não vou.

Ele se levantou também.

— Enquanto fizer parte desta família, você não vai virar as costas para sua irmã.

— Não estou virando as costas para ela.

Estou dizendo que minha casa não é uma conta bancária da família.

O rosto dele mudou.

Vi a mão apenas no último instante.

O tapa virou meu rosto.

Minha bochecha ardeu imediatamente.

Ninguém se mexeu.

Camila ficou pálida.

Minha mãe levou a mão à boca.

Olhei para meu pai.

Ele parecia quase mais surpreso do que eu, mas não pediu desculpas.

Apontou para a porta.

— Venda amanhã ou esqueça que tem pai.

Peguei minha bolsa.

— Você acabou de facilitar essa escolha.

Fui embora.

Na segunda-feira, troquei todas as senhas bancárias.

Também alterei a senha do e-mail, ativei autenticação em dois fatores e solicitei alertas de consulta ao meu CPF.

Na época, pensei que estivesse apenas sendo cautelosa.

Na quinta-feira, descobri que talvez aquilo tivesse me salvado.

Depois da ligação do banco, cancelei meus primeiros dois pacientes e fui até a agência.

O gerente, André, me recebeu em uma sala de vidro.

— Ainda estamos verificando como o processo avançou — explicou.

— Mas sua contestação foi registrada antes da liberação de qualquer valor.

— Quero ver o que foi apresentado.

Ele não podia me entregar tudo naquele momento, mas mostrou a relação.

Cópia do meu documento de identidade.

CPF.

Comprovante de renda antigo.

Dados do apartamento.

Uma matrícula atualizada do imóvel.

E uma assinatura que imitava a minha.

Meu estômago se fechou.

— De onde alguém conseguiu isso?

Então me lembrei.

Durante anos, meu pai guardara cópias dos documentos da família no escritório da distribuidora.

Ele cuidava das declarações de imposto com um contador e dizia que era melhor manter tudo arquivado.

Havia cópias minhas ali.

Talvez antigas, mas suficientes para começar.

— Preciso registrar um boletim de ocorrência? — perguntei.

André assentiu.

— Eu recomendo fortemente.

Também vale acompanhar qualquer tentativa de abertura de contas ou crédito em seu nome.

Saí da agência com uma pasta de orientações e uma sensação estranha de estar vivendo a vida de outra pessoa.

Meu pai estava do outro lado da rua.

Encostado no carro.

Não parecia furioso.

Parecia exausto.

Atravessei metade da calçada e parei a alguns metros dele.

— Você falsificou minha assinatura?

Ele passou a mão pelo rosto.

— Não faça cena aqui.

— Responde.

— Eu estava tentando resolver um problema.

— Usando meu nome.

— Eu devolveria tudo.

A confirmação veio com tanta facilidade que senti meu peito ficar frio.

— Então foi você.

Ele olhou para os lados.

— O crédito nem foi liberado.

— Porque o banco me ligou.

— Se você tivesse cooperado no jantar, não precisaria ter chegado a

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