Meu Filho Expulsou a Própria Mãe — Então Descobri Seu Verdadeiro Plano

começamos a preparar depois que o banco me ligou perguntando sobre uma mudança cadastral que nunca pedi.

O silêncio na sala foi imediato.

Camila olhou para o marido.

— Que mudança cadastral?

Marcelo não respondeu.

Augusto percebeu então que talvez Camila estivesse envolvida na tentativa de tomar controle da casa, mas não conhecesse todos os métodos usados pelo marido.

— Marcelo? — ela insistiu.

— Foi só uma consulta.

— Você disse que seu pai já tinha autorizado tudo.

— E ele vai autorizar quando entender que faz sentido.

Helena caminhou lentamente até a cadeira ao lado de Augusto.

A mágoa em seu rosto começava a dar lugar a outra coisa.

Indignação.

— Você planejou isso enquanto vinha almoçar aqui aos domingos?

— Mãe, não transforme isso em algo pessoal.

Ela ficou olhando para ele.

— Você me colocou para fora da minha casa e quer que eu não transforme em algo pessoal?

Marcelo desviou o olhar.

Quarenta minutos depois, Roberto chegou carregando uma pasta azul grossa.

Ele entrou sem comentários desnecessários, cumprimentou Helena e sentou à mesa.

— Augusto me contou parte da situação pelo telefone — disse.

— Antes de qualquer coisa, preciso esclarecer que o imóvel continua registrado em nome de Augusto e Helena, em partes iguais.

Nenhuma transferência foi autorizada.

Camila fechou os olhos por um instante.

Marcelo se inclinou para frente.

— Eu nunca disse que a transferência estava concluída.

Helena soltou uma risada curta e triste.

— Disse que a casa pertencia a você agora.

Roberto abriu a pasta.

— Há três semanas, Augusto me procurou depois de receber uma ligação do banco.

Fizemos algumas verificações.

Houve pedidos de cópias de documentos, consultas sobre o imóvel e uma tentativa de apresentar uma procuração como autorização para representar Augusto em assuntos patrimoniais.

Marcelo ficou pálido.

— Eu só estava levantando informações.

— A procuração mencionada autorizava exclusivamente a venda de um veículo — explicou Roberto.

— Qualquer uso fora dessa finalidade seria inválido.

Camila virou-se abruptamente para o marido.

— Você me disse que tinha uma procuração geral.

— Eu disse que tinha poderes para resolver algumas coisas.

— Não foi isso que você disse.

A discussão entre os dois ameaçou crescer, mas Augusto ergueu a mão.

— Antes de qualquer outra coisa, quero saber por quê.

Marcelo apertou os lábios.

— Já expliquei.

Vocês precisam organizar o patrimônio.

— Essa resposta não explica por que você precisava agir agora.

— Não existe nada além disso.

Camila ficou olhando para o chão.

Augusto percebeu.

— Camila?

Ela passou a mão pelos cabelos e soltou lentamente o ar.

— A empresa dele está em dificuldades.

Marcelo virou-se.

— Não.

— Eles vão descobrir de qualquer jeito.

— Camila, cala a boca.

Helena se levantou.

— Não fale assim com ela dentro da minha casa.

A frase pareceu surpreender até a própria Camila.

Ela continuou.

— A empresa deve dinheiro.

Muito.

Fornecedores, impostos, dois empréstimos.

Alguns clientes atrasaram pagamentos, depois Marcelo pegou novos contratos para cobrir os antigos e tudo piorou.

Augusto sentiu o estômago apertar.

— Quanto?

Marcelo permaneceu calado.

Camila respondeu.

— Quase quatrocentos mil.

Helena levou a mão à boca.

Augusto olhou para o filho.

— E você pretendia fazer o quê com esta casa?

Marcelo apoiou as duas mãos na mesa.

— Eu

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