Cancelei o cartão da minha sogra e meu ex tentou arrombar minha porta

fez com o cartão da minha mãe?

— Cancelei.

— Ela estava num leilão beneficente! Ofereceu quarenta e oito mil dólares por um colar e o pagamento foi recusado diante de todo mundo!

Consegui imaginar perfeitamente a cena.

Celina, usando seu vestido de seda, levantando a placa de lance com confiança, até descobrir que a conta que financiava seus caprichos não estava mais disponível.

— Ela pode pagar com os próprios recursos — respondi.

— Você fez isso para humilhá-la.

— Fiz porque não somos mais casados.

Caio respirou profundamente.

— Helena, pense no que está fazendo.

Você não sabe quais consequências isso pode ter.

— Estou começando a descobrir.

Desliguei.

Naquela noite, dormi profundamente.

Às 6h39 da manhã seguinte, fui acordada pelo som agudo de metal contra metal.

Por alguns segundos, pensei que fosse uma obra em outro apartamento.

Depois ouvi vozes no corredor.

Peguei o telefone e abri a câmera instalada acima da minha porta.

Caio estava ali.

Celina também.

Entre eles, um chaveiro ajoelhado junto à fechadura.

— Minha ex-mulher não está emocionalmente estável — Caio dizia.

— Ela passou por um divórcio ontem.

Precisamos garantir que esteja segura.

O chaveiro posicionou uma broca diante da fechadura.

Antes que ele ligasse a ferramenta, ouvi Caio falar baixo com a mãe:

— Precisamos encontrar a pasta cinza.

Se Helena descobrir o que fizemos, o banco vai saber de tudo.

Acordei completamente naquele instante.

A pasta cinza ficava na última gaveta da escrivaninha do meu escritório.

Dentro dela havia documentos relacionados à empresa de investimentos que eu controlava desde antes do casamento.

E a empresa possuía uma ligação muito específica com os negócios da família Varela.

Apertei o botão do interfone.

— Afaste-se da minha porta.

Caio olhou para a câmera.

— Helena, abra.

Estamos preocupados com você.

— Estou bem.

Quem está tentando entrar na minha casa sem autorização é você.

Celina se aproximou da lente.

— Deixe meu filho entrar, sua ingrata!

— Este apartamento não pertence ao seu filho.

Ela soltou uma risada.

— Caio sustentou você durante sete anos!

A afirmação foi tão absurda que precisei de um segundo antes de responder.

— Celina, ninguém vai entrar.

A segurança do prédio já foi avisada.

O chaveiro desligou a furadeira.

— Senhor, o senhor disse que era proprietário — afirmou, olhando para Caio.

— Eu moro aqui há anos.

— Morava — corrigi.

— O acordo judicial estabelece que você devolveu suas chaves e não tem mais direito de acesso.

Caio ficou vermelho.

No corredor, o elevador se abriu.

O supervisor de segurança apareceu com dois funcionários.

A presença deles obrigou Caio a se afastar da porta.

Eu telefonei para a polícia, informei o endereço e expliquei que meu ex-marido tentava entrar sem autorização, acompanhado de um profissional que havia sido induzido a acreditar que existia uma emergência.

Enquanto aguardava, recebi uma mensagem de Júlia.

Ela havia acabado de receber um documento encaminhado pelo administrador do crédito dos hotéis Varela.

O arquivo tinha quatro páginas.

Na primeira, aparecia a descrição de uma dívida corporativa de 12,4 milhões de dólares.

Na segunda, uma lista de garantias adicionais propostas.

Na terceira, meus dados pessoais.

Na última, minha assinatura.

Mas eu nunca havia assinado aquele documento.

Liguei imediatamente para Júlia.

— Você viu a hora em que o arquivo

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