mudou.
A chave tinha o brasão antigo da família Bellini.
Era a chave do cofre pessoal de seu pai.
Um cofre que, segundo todos acreditavam, estava vazio desde sua morte vinte anos antes.
Augusto lembrou-se de uma frase que o pai repetia quando ele era menino:
“Algumas verdades só sobrevivem porque ninguém procura no lugar certo.”
A porta do restaurante começou a tremer sob os golpes.
Augusto fechou os dedos em torno da chave.
Desta vez, não precisava enfrentar apenas seu irmão.
Precisava enfrentar o passado que sua própria família havia enterrado.
E, talvez pela primeira vez em vinte anos, estava disposto a descobrir por que seu pai confiara em Matteo mais do que nele.
A porta cedeu.
Samuel Price entrou apontando a arma.
Matteo apareceu atrás dele.
“Acabou, Augusto.”
Augusto olhou para o irmão.
“Não.”
Ergueu a pequena chave.
“Agora começou.”
Matteo perdeu a cor.
Foi uma reação mínima.
Mas Augusto viu.
E percebeu que aquela chave não abria apenas um cofre.
Ela abria uma história que Matteo passara metade da vida tentando manter enterrada.
Naquela noite, sob o brilho frio das luzes do porto, Augusto tomou a decisão que mudaria o destino das duas famílias.
Primeiro, protegeria Lia.
Depois, encontraria os pais dela.
E, por último, descobriria quem realmente era seu irmão.
Quando o velho elevador subterrâneo começou a descer em direção ao antigo terminal, Lia segurou sua mão.
“Senhor Augusto?”
“Sim?”
“Quando encontrar meu pai… não fique com raiva dele.”
Augusto a encarou.
“Por quê?”
A menina respirou fundo.
“Porque foi ele quem colocou a primeira câmera.”
Augusto ficou imóvel.
“O quê?”
“Ele estava tentando descobrir quem estava seguindo o senhor.”
As portas do elevador se abriram.
E, do outro lado, havia alguém esperando por eles.
Alguém que Augusto tinha enterrado na memória há vinte anos.
Alguém que deveria estar morto.