A menina mandou o chefe olhar sob o carro — e revelou um segredo que destruía sua própria família

CONFIE NO HOMEM AO SEU LADO.

Augusto levantou os olhos imediatamente.

Seus dois seguranças estavam próximos.

Um deles, Daniel Mercer, trabalhava para ele havia onze anos.

O outro, Victor Shaw, há apenas oito meses.

Victor deu um passo para trás.

“Isso é ridículo.”

Augusto guardou o papel no bolso.

“Não foi você que encontrou a câmera.”

Victor ficou em silêncio.

O ambiente mudou.

Augusto conhecia aquela sensação.

Era o momento em que uma sala deixava de ser um lugar de conversa e passava a ser um lugar de decisão.

Ele mandou todos entrarem novamente no restaurante, menos Lia.

Mas a menina segurou seu paletó.

“Eu preciso ficar com o senhor.”

“Por quê?”

“Porque ainda não contei tudo.”

Augusto olhou para ela.

“Então conte.”

“Meu pai desapareceu.”

O rosto dele mudou.

“Quando?”

“Três dias atrás.”

“Polícia?”

“Minha mãe tentou chamar.”

“E?”

Lia passou a língua pelos lábios secos.

“Um policial foi à nossa casa.”

“Nome?”

“Não sei.”

“Descrição?”

“Era alto, tinha uma marca aqui.”

Ela apontou para a sobrancelha.

Augusto congelou.

Havia um homem que correspondia exatamente à descrição.

Detetive Samuel Price.

Price conhecia operações antigas dos Bellini, conhecia os armazéns e conhecia pessoas que Augusto preferia manter longe dos negócios oficiais.

Meses antes, Price começara a agir de maneira estranha.

Algumas investigações contra empresas ligadas aos Bellini eram encerradas sem explicação.

Documentos desapareciam.

Testemunhas mudavam seus depoimentos.

Augusto nunca entendera por quê.

Agora começava a entender.

Levou o cartão a uma sala privada.

Um computador foi preparado.

O primeiro arquivo mostrava o interior do carro.

A câmera havia sido instalada havia menos de vinte e quatro horas.

Depois de alguns minutos, Samuel Price apareceu no vídeo.

Ele estava sozinho.

Olhou para os lados.

Prendeu a câmera sob o banco e recebeu uma ligação.

“Hoje à noite?”

Pausa.

“Sim.

Ele sai sozinho.”

A voz do outro lado não era clara.

Price respondeu:

“Depois disso, vocês terão o controle da empresa.”

O arquivo acabou.

Augusto ficou alguns segundos olhando para a tela preta.

“Reproduza o segundo.”

O vídeo mostrava um galpão.

Mesas, caixas, documentos e três homens.

Samuel Price estava lá.

Ao lado dele, estava Richard Cole, o advogado que cuidava dos negócios mais delicados dos Bellini.

E o terceiro homem fez Augusto esquecer de respirar.

Matteo Bellini.

Seu irmão.

Matteo tinha o mesmo sobrenome, a mesma família e quase o mesmo sorriso reservado que Augusto aprendera a odiar desde a juventude.

Na gravação, Matteo se inclinou sobre a mesa.

“Quando Augusto for retirado, os contratos passam para mim.”

Richard perguntou:

“E a menina?”

Matteo ergueu o rosto.

“Ela viu demais.”

O vídeo terminou.

Augusto se afastou do computador.

Ele conhecia o irmão.

Conhecia sua ambição.

Mas nunca imaginara que Matteo estivesse disposto a construir uma armadilha capaz de destruí-lo.

Lia estava na porta.

“Meu pai descobriu isso”, disse ela.

Augusto virou o rosto.

“Como?”

“Ele fazia entregas para uma empresa do porto.

Começou a perceber que alguns caminhões saíam carregados e voltavam vazios, mas os registros diziam outra coisa.”

“Seu pai guardou provas?”

“Sim.”

“Onde?”

“Minha mãe sabia.”

“E onde ela está?”

A menina não respondeu.

Esse silêncio bastou.

Augusto se aproximou.

“Lia.”

Ela apertou os olhos para não chorar.

“Ela desapareceu também.”

Augusto sentiu uma pressão no peito.

“Há quanto tempo?”

“Ontem.”

Ele fechou os olhos por um instante.

Duas

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