pessoas desaparecidas em três dias.
Um policial envolvido.
Seu próprio irmão conspirando.
Uma câmera sob seu carro.
E uma criança no centro de tudo.
“Por que veio até mim?”
Lia tirou outra coisa da sacola.
Uma fotografia.
Nela aparecia sua mãe diante de uma pequena floricultura.
Ao fundo, havia um caminhão dos Bellini.
No verso, uma frase.
SE ALGO ACONTECER COMIGO, PROCURE AUGUSTO.
Ele encarou o papel.
“Quem escreveu?”
“Minha mãe.”
Augusto queria perguntar por quê, mas Lia já estava falando.
“Ela disse que o senhor talvez não fosse bom, mas era diferente deles.”
A frase atingiu algo nele que nenhuma ameaça conseguiria alcançar.
Durante décadas, Augusto acreditara que não importava o que as pessoas pensavam.
Poder era controle.
Família era lealdade.
Segredos eram proteção.
Agora uma mulher desaparecida confiara sua última esperança a uma criança.
Ele precisava descobrir o motivo.
E descobriu quando abriu o terceiro arquivo.
O vídeo mostrava uma garagem subterrânea.
Samuel Price entrou.
Matteo estava esperando.
E, segundos depois, apareceu Rita Alvarez, mãe de Lia.
Augusto se aproximou da tela.
Rita entregou um envelope a Matteo.
“Está tudo aqui”, ela disse.
Matteo pegou o envelope.
“E o menino?”
Rita respondeu:
“Ele sabe demais.”
Augusto pausou.
“O menino?”
Lia se aproximou da tela.
“Meu pai.”
No canto do vídeo havia um relógio.
A data correspondia ao dia do desaparecimento dele.
Augusto sentiu o corpo inteiro esfriar.
“Eles estavam juntos.”
“Minha mãe foi obrigada”, disse Lia.
“Ela me falou antes de sumir.”
“Obviamente ela não entregou o que queriam.”
Lia balançou a cabeça.
“Não.”
“Então onde está o envelope?”
A menina olhou para a sacola vazia.
“Não sei.”
Augusto voltou ao vídeo.
Reproduziu os últimos segundos.
Parou.
Voltou.
Assistiu novamente.
No fundo da garagem havia uma porta azul quase escondida.
Perto dela, uma pequena marca branca na parede.
Duas linhas e um círculo.
Augusto conhecia aquele símbolo.
Seu pai usara aquilo quando ele ainda era criança para marcar esconderijos.
“Há um lugar”, disse.
Lia perguntou:
“Onde?”
“Embaixo do antigo terminal ferroviário.”
Antes que pudesse explicar, ouviram carros chegando do lado de fora.
Cinco viaturas.
Samuel Price saiu da primeira.
Matteo apareceu logo atrás.
O restaurante foi cercado.
Um dos seguranças correu para fechar as cortinas.
“Senhor, estão vindo.”
Augusto ficou em silêncio.
Lia segurou a mão dele.
“Eles sabem que eu estou aqui.”
“Como?”
“Porque o homem que colocou a câmera também me viu.”
Augusto olhou para Victor.
O segurança mais novo estava pálido.
Victor levou a mão ao bolso.
Daniel sacou a arma.
Augusto gritou:
“Não!”
Mas havia algo no rosto de Victor que confirmava todas as suspeitas.
Ele tirou o telefone lentamente.
“Eu posso explicar.”
“Explique.”
“Eu não sabia que havia uma criança envolvida.”
Augusto deu um passo à frente.
“Você trabalha para quem?”
Victor fechou os olhos.
“Matteo.”
Naquele segundo, bateram à porta.
Três pancadas fortes.
“Polícia! Abram!”
Augusto sabia que aquela prisão provavelmente seria uma encenação destinada a isolá-lo.
Mas havia algo que nenhum deles sabia.
A câmera do carro não era a única prova.
Lia puxou a manga do paletó dele.
“Meu pai disse para eu nunca entregar tudo de uma vez.”
Augusto olhou para ela.
“Seu pai deixou outra coisa?”
Ela assentiu.
“Uma chave.”
A menina colocou uma pequena chave de metal na mão dele.
No mesmo instante, a expressão de Augusto