Vi Meu Irmão Mexer na Minha Taça — Mas o Plano Dele Era Muito Maior

Clara Ferraz percebeu o movimento porque conhecia o irmão bem demais.

Lucas sorria para os convidados enquanto se inclinava sobre a mesa dos noivos, aparentemente procurando um guardanapo que havia caído perto da cadeira dela.

O salão do Hotel Miramar brilhava sob lustres baixos e centenas de velas.

Além das janelas, uma tempestade de verão cobria Florianópolis de chuva.

Ninguém prestava atenção nele.

Clara prestava.

Ela viu quando Lucas levou a mão ao bolso interno do paletó.

Viu o pequeno frasco transparente escondido entre os dedos.

E viu quando algumas gotas caíram dentro da sua taça de espumante.

Durante um segundo, o mundo pareceu parar.

Lucas ergueu os olhos e sorriu para alguém atrás dela, como se nada tivesse acontecido.

Clara sentiu o coração bater forte, mas não reagiu.

Durante quase toda a vida, reagir a Lucas significava perder.

Quando eram crianças, ele escondia seus brinquedos e dizia que ela os havia perdido.

Na adolescência, espalhava histórias sobre ela e depois a chamava de dramática quando ela se defendia.

Depois que ambos começaram a trabalhar na empresa fundada pelo pai, Lucas dominou as reuniões, interrompeu suas apresentações e transformou qualquer discordância em uma prova de que Clara era emocional demais para participar de decisões importantes.

Ela havia aprendido cedo que a família preferia paz aparente à verdade.

Naquela noite, porém, algo diferente aconteceu.

Helena, sua melhor amiga, chamou Lucas para uma fotografia perto do bolo.

Ele virou o rosto.

Clara segurou a própria taça e a taça dele, que estavam lado a lado sobre a mesa alta usada durante os brindes.

Trocou as duas.

Levou menos de dois segundos.

Quando Lucas voltou, parecia satisfeito.

Pouco depois, o mestre de cerimônias entregou o microfone a ele.

Lucas levantou a taça.

“Minha irmã finalmente encontrou alguém paciente o suficiente para aguentá-la”, disse, arrancando risadas desconfortáveis de algumas pessoas.

Clara manteve o sorriso.

Lucas olhou diretamente para ela.

“Parabéns, maninha.

Daqui a pouco você vai receber meu verdadeiro presente.”

A frase soou leve para os convidados.

Para Clara, foi uma ameaça.

“Estou ansiosa”, respondeu.

Lucas bebeu.

Tudo.

Clara não tocou na própria taça.

André, seu marido, percebeu que algo estava errado.

“Você está bem?”

“Depois eu explico.”

Ele franziu a testa, mas não insistiu.

Vinte minutos se passaram.

Lucas começou a suar.

Primeiro afrouxou a gravata.

Depois sentou.

Levantou novamente.

Pediu água.

Renata, sua esposa, colocou a mão em seu braço.

“Você está pálido.”

“É calor.”

“Está vinte graus aqui dentro.”

“Eu estou bem.”

A resposta saiu agressiva.

Clara observava de longe.

Parte dela queria acreditar que talvez tivesse interpretado tudo errado.

Talvez o frasco tivesse alguma explicação absurda, porém inocente.

Então Lucas olhou para ela.

O medo em seus olhos matou essa esperança.

Ele sabia.

Sabia que algo tinha dado errado.

Lucas deu dois passos em direção à saída, mas perdeu o equilíbrio.

Bateu em um garçom, derrubando uma bandeja inteira.

O som de vidro quebrando silenciou o salão.

A música parou.

Lucas tentou segurar a borda de uma mesa.

Não conseguiu.

Caiu de joelhos.

Renata gritou seu nome.

Meu Deus, pensou Clara.

O que ele colocou naquela taça?

Ela já estava se aproximando quando a carteira de Lucas caiu do bolso.

Junto com ela veio o pequeno frasco.

Ele rolou pelo piso e parou perto do sapato branco de Clara.

Ela

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