O Pai Disse Que Ela Fingiria a Dor — Até o Exame Revelar a Verdade

quero vocês brigando por minha causa.

Sentei na cama ao lado dela.

— Escuta uma coisa.

Se adultos brigam porque uma criança está doente, a responsabilidade é dos adultos.

Nunca da criança.

Ela abaixou a cabeça.

— É que o pai fala como se eu estivesse fazendo drama.

— Você está sentindo dor?

— Sim.

— Então nós vamos descobrir a causa.

Dois dias depois, não foi mais possível esperar.

Pouco antes das seis da manhã, ouvi um objeto cair no banheiro.

Encontrei Elisa sentada no piso, pálida, com a mão pressionada contra o lado direito do abdômen.

— Mãe, está doendo muito.

A intensidade no rosto dela encerrou qualquer dúvida que ainda pudesse existir.

Marcelo ainda dormia.

Pensei em acordá-lo.

Pensei na discussão que viria.

Então pensei na minha filha no chão.

Não acordei ninguém.

Ajudei Elisa a voltar para a cama, esperei a dor diminuir o suficiente para ela se vestir e, depois que Marcelo saiu para trabalhar, coloquei-a no carro.

A clínica ficava a quarenta minutos de casa.

Durante o trajeto, ela quase não falou.

— Estou com medo — confessou quando paramos num semáforo.

— Eu também.

Ela me olhou surpresa.

— Você está?

— Claro.

Coragem não é não sentir medo.

É não deixar o medo decidir por você.

Elisa ficou em silêncio, depois estendeu a mão sobre o console.

Segurei-a até o sinal abrir.

Na clínica, uma médica chamada Helena Costa examinou Elisa.

Ela fez perguntas sobre o ciclo menstrual, alimentação, febre, vômitos e a localização exata da dor.

Em seguida, pressionou cuidadosamente o abdômen.

Quando chegou ao lado direito, Elisa fechou os olhos e puxou o ar.

Doutora Helena afastou a mão.

— Há quanto tempo essa dor está assim?

— Ficou muito forte hoje — respondi.

— Mas existe há semanas.

A médica assentiu.

— Quero exames de sangue e uma ultrassonografia pélvica e abdominal.

Marcelo começou a mandar mensagens enquanto aguardávamos.

Onde vocês estão?

Depois:

Você levou a Elisa ao médico sem me falar?

E finalmente:

Não autorize exame caro sem saber quanto custa.

Olhei para aquelas palavras e senti uma raiva cansada.

Não respondi.

A ultrassonografia começou pouco depois do meio-dia.

A técnica era simpática.

Explicava cada movimento e fazia perguntas leves para deixar Elisa confortável.

Até encontrar alguma coisa.

Eu vi a mudança antes de qualquer palavra.

O rosto da profissional ficou concentrado.

Ela repetiu uma medida.

Mudou o ângulo.

Salvou várias imagens.

— Encontrou algo? — perguntei.

— A médica vai explicar tudo para vocês.

A frase era neutra.

Meu corpo a ouviu como um alarme.

Doutora Helena entrou cerca de vinte minutos depois.

Fechou a porta e puxou uma cadeira para perto da maca.

— Encontramos uma massa considerável na região do ovário direito da Elisa.

Eu fiquei olhando para ela.

— Massa significa tumor?

— Significa uma formação que precisamos identificar.

Existem cistos, tumores benignos e outras possibilidades.

Não é correto concluir câncer apenas por essa imagem.

Elisa agarrou minha mão.

— É grande?

A médica fez uma pausa cuidadosa.

— Aproximadamente quatorze centímetros em seu maior eixo.

Elisa arregalou os olhos.

Eu senti um frio descer pela coluna.

Quatorze centímetros.

Era impossível ouvir aquele número sem imaginar o espaço que aquilo ocupava dentro do corpo pequeno da minha filha.

— Isso explica a dor?

—

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