indicavam componentes de aço resistente à corrosão.
Outras traziam códigos de fabricação que eu já conhecia de fornecedores de materiais muito mais baratos.
A história estava se repetindo, agora numa escala perigosa.
Liguei para Iara.
— Precisamos de verificação emergencial das comportas do Arroio Branco.
Há indícios de relatório adulterado e divergências de material.
Acione o consórcio municipal, o auditor independente e nossa equipe de campo.
Minha mãe levantou imediatamente.
— Você não vai fazer isso.
— Já estou fazendo.
— Você não entende o que está em jogo.
— Entendo melhor do que você imagina.
A chuva atingiu o vidro com força.
O telefone de Gustavo vibrou várias vezes.
Ele não atendeu.
Renata deu um passo na minha direção.
— Existe um e-mail que você precisa ler.
Foi enviado antes de instalarem as peças.
Antes que ela continuasse, minha linha interna tocou.
Era Iara, falando da sala de operações.
— Elisa, temos um alerta crítico.
A comporta três parou de responder ao sistema de fechamento.
Há uma equipe de manutenção na galeria inferior, e o rio está subindo.
— Quantas pessoas?
— Dezenove.
Olhei para o relógio.
Quatro e dezessete.
— Acione os procedimentos de emergência.
Avise a Defesa Civil e o responsável pela estrutura.
Estou indo para a central.
Peguei meu capacete e caminhei em direção à porta.
Foi então que Renata disse algo que me fez parar.
— Elisa, Gustavo sabia que o mecanismo podia falhar.
Mas foi nossa mãe quem mandou continuar a instalação.
Virei lentamente.
Celina estava imóvel.
Por um instante, aquela mulher que controlara todas as refeições, festas e decisões da nossa família pareceu incapaz de controlar a própria respiração.
— Renata está inventando — declarou.
Minha irmã desbloqueou o celular.
— Tenho o e-mail.
E as respostas.
Eu queria ler tudo.
Queria perguntar quantas vezes minha mãe escolhera proteger Gustavo enquanto me chamava de desleal.
Queria saber por que Renata ficara em silêncio durante tantos anos.
Mas havia dezenove pessoas trabalhando dentro de uma galeria ameaçada pela água.
— Beatriz, acompanhe os três até a sala de reuniões.
Preserve os documentos que trouxeram e registre quem os entregou.
Não deixe ninguém manipular os arquivos da empresa.
Renata, envie os e-mails originais diretamente para nosso departamento jurídico.
Precisamos preservar os metadados.
Minha mãe tentou segurar minha mão.
— Elisa, por favor.
Você está colocando seu irmão em perigo.
— Não.
Estou tentando tirar dezenove trabalhadores do perigo em que ele os colocou.
Na central de operações, encontrei Iara diante de uma parede de monitores.
O mapa do Arroio Branco mostrava três pontos de monitoramento.
Dois estavam amarelos.
O terceiro piscava em vermelho.
O operador da estação explicou que a comporta principal havia perdido resposta mecânica.
O comando elétrico chegava ao atuador, mas o mecanismo não completava o movimento.
A pressão da água aumentava continuamente.
A equipe na galeria inferior tentava alcançar uma passagem de serviço.
Iara já havia contatado os responsáveis pela instalação e a Defesa Civil.
Nossa função era fornecer dados de monitoramento e apoio técnico.
As decisões de evacuação e operação das comportas cabiam aos órgãos e profissionais responsáveis.
— Eles conseguem sair pelo acesso norte? — perguntei.
— Se a passagem estiver livre — respondeu o operador.
— Mas a água começou a entrar pelo corredor secundário.
Liguei para o engenheiro