Expulsaram Sua Filha à Meia-Noite — Então Ele Descobriu o Verdadeiro Motivo

Dentro havia roupas, livros, cabos, o notebook e vários objetos pessoais.

Helena começou a conferir item por item.

Quando ergueu uma pilha de cadernos, viu algo pequeno e preto entre eles.

O gravador digital.

A luz vermelha piscava.

Renan congelou.

“Isso estava ligado?”

Helena pegou o aparelho.

Sofia costumava deixá-lo funcionando durante ensaios para depois ouvir os erros.

Na noite anterior, ela o colocara sobre a escrivaninha antes de descer à cozinha.

Ninguém lembrara de desligá-lo.

Naquela tarde, quando André voltou do hospital e encontrou Sofia no hotel, ela finalmente conseguiu sorrir ao vê-lo.

Ele a abraçou por vários segundos sem dizer nada.

“Desculpa, pai”, ela murmurou.

André se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos dela.

“Por quê?”

“Por ter causado tudo isso.”

O rosto dele endureceu.

“Você não causou nada.”

Helena entrou logo depois e colocou a pulseira na mão da filha.

Sofia apertou os lábios.

“Ela estava usando?”

Helena assentiu.

Sofia fechou os dedos em volta da joia.

Então André colocou o gravador sobre a mesa.

“Quero saber se você se sente confortável em ouvir.”

Sofia hesitou.

“Tem alguma coisa sobre mim?”

“Provavelmente.

Mas acho que tem algo maior também.”

Eles conectaram o aparelho ao notebook.

Havia mais de duas horas de áudio.

A primeira parte era música, passos, portas e ruídos comuns.

Depois, perto das onze da noite, as vozes de Patrícia e Augusto ficaram claras.

“Você precisa convencê-lo antes do fim do mês”, Patrícia dizia.

“Ele já recusou duas vezes.”

“Porque você está pedindo pouco.”

“Estou pedindo para ele assinar uma garantia de quase quatrocentos mil.”

“Ele tem patrimônio.”

André interrompeu o áudio.

Helena o encarou.

“Que garantia?”

“Eu não sei.”

Ele voltou a reproduzir.

Patrícia continuava falando.

“Se o André assumir o novo financiamento, conseguimos cobrir a dívida antiga e ainda sobra para o projeto do Renan.”

Augusto respondeu:

“Ele vai querer ver os números.”

“Então não mostre tudo.”

O quarto ficou em silêncio.

Sofia olhou para o pai.

André não se mexeu.

A gravação prosseguiu.

Patrícia sugeria que Augusto apresentasse o empréstimo como uma expansão da oficina.

Na verdade, parte do dinheiro seria usada para cobrir dívidas pessoais dela e financiar uma sociedade que Renan queria abrir com amigos.

Mas a conversa piorou.

“E se ele descobrir?”, Augusto perguntou.

“Ele sempre reclama e depois resolve.

É o André.”

Foi então que o nome de Sofia apareceu.

Patrícia disse que Renan precisava se mudar temporariamente para a casa porque havia brigado com o proprietário do apartamento.

Augusto reclamou que não tinha espaço.

“Use o quarto da Sofia”, Patrícia respondeu.

“Ela está aqui.”

“Só até domingo.”

“E onde ela dorme?”

“Em qualquer lugar.

Talvez até seja bom.

Se ela reclamar para o André, você diz que a menina foi desrespeitosa.

Ele vem furioso, vocês discutem, depois você traz o assunto do dinheiro.

Ele sempre cede quando acha que a família está se desfazendo.”

Helena parou a gravação.

Sofia ficou completamente imóvel.

André levou alguns segundos para entender.

Expulsar sua filha não fora apenas crueldade impulsiva.

Patrícia havia tentado criar uma crise familiar para pressioná-lo emocionalmente.

Augusto talvez não tivesse planejado cada detalhe, mas participara.

Ele abrira a porta.

Ele deixara Sofia sair.

E tudo porque acreditavam que André sempre acabaria pagando para restaurar a paz.

Dessa vez, não pagaria.

No dia seguinte, André encontrou

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