Expulsaram Sua Filha à Meia-Noite — Então Ele Descobriu o Verdadeiro Motivo

Aos dezesseis anos, Sofia Almeida descobriu que uma porta fechando pode soar mais alto do que um grito.

Eram 00h38 quando seu avô Augusto apontou para a entrada da casa e disse que ela deveria ir embora.

“Seu primo vai ficar com o quarto.

Pegue suas coisas.”

Sofia permaneceu parada no corredor, de meias, segurando a mochila contra o peito.

Do lado de fora, a chuva fina refletia a luz amarela dos postes.

Dentro da casa, tudo parecia absurdamente normal: a televisão ligada sem volume, o relógio antigo marcando os segundos, o cheiro de café requentado vindo da cozinha.

“Vô…

meu pai disse que eu ficaria aqui até domingo.”

Augusto sequer baixou a mão.

“Seu pai não decide dentro da minha casa.”

Dois dias antes, André e Helena Almeida haviam deixado Sofia ali porque o pai de Helena fora levado às pressas para um hospital em outra cidade para uma cirurgia cardíaca.

A viagem seria curta.

Sofia tinha prova na segunda-feira e preferira não faltar às aulas.

Augusto havia garantido que cuidaria da neta.

“Pode ir tranquila”, dissera a Helena.

“Ela é minha neta.

Aqui nunca vai faltar nada para ela.”

Agora, uma mala aberta estava jogada perto da porta.

Algumas roupas haviam sido empurradas para dentro.

Outras estavam numa sacola plástica.

O casaco impermeável de Sofia não aparecia em lugar nenhum.

A tia Patrícia estava encostada no arco que separava a sala do corredor.

Mantinha os braços cruzados e a expressão impaciente.

Seu filho, Renan, de dezenove anos, estava sentado no sofá usando o moletom cinza de Sofia e mexendo em algo que ela reconheceu imediatamente.

Seus fones de ouvido.

“Esses são meus.”

Renan tirou um lado do fone.

“O quê?”

“Os fones.”

Ele olhou para a mãe.

Patrícia respondeu antes que ele precisasse.

“Renan vai passar um tempo aqui.

Ele precisa de um quarto de verdade.”

“Então eu durmo no sofá.”

Augusto soltou uma risada curta, sem humor.

“Não vamos reorganizar a casa inteira por sua causa.”

Sofia sentiu o rosto esquentar.

Não queria chorar.

Não diante deles.

“Meu pai volta amanhã à noite.”

“Ótimo.

Você pode ficar num hotel até lá.”

Sofia retirou o celular do bolso.

A bateria havia acabado havia quase uma hora.

“Meu telefone morreu.”

“Você é uma garota inteligente”, Augusto respondeu.

“Dê seu jeito.”

Ela olhou para a janela.

“Está chovendo.”

Patrícia suspirou.

“Não faça isso virar uma cena.”

Foi então que Sofia viu a pulseira.

Uma fina corrente de prata com uma pequena pedra azul, presa ao pulso esquerdo de Patrícia.

Sofia conhecia cada marca daquela joia.

Tinha pertencido à avó materna e Helena dera a ela no aniversário de quinze anos.

“Tia.”

Patrícia seguiu o olhar da menina e imediatamente baixou a mão.

“Essa pulseira é minha.”

“Eu encontrei no quarto.”

“Encontrou na minha caixa.”

“Depois eu devolvo.”

“Quero agora.”

Augusto bateu a palma da mão na porta.

“Chega.”

O som fez Sofia se calar.

“Pegue a mala e saia.”

Ela olhou para o avô esperando algum sinal de hesitação.

Encontrou apenas irritação.

Então pegou a mochila, segurou a alça quebrada da mala e tentou equilibrar a sacola de roupas.

Quando passou por Patrícia, ouviu a tia murmurar:

“Não conte tudo para o André.

Você sabe como ele exagera.”

Sofia parou.

Por um segundo, quase respondeu.

Depois continuou andando.

Augusto abriu

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