Ele Tentou Roubar Nossa Filha — Até Eu Mandar Chamarem Meu Pai

coordenadora apontou para o berço.

— Agora.

Dessa vez, ele obedeceu.

Camila trouxe Elisa de volta para perto de mim.

Quando minha mão tocou o rosto da minha filha, senti meus músculos relaxarem.

Eu não tinha vencido.

Mas ela estava ao meu alcance outra vez.

Foi então que o telefone de Marcelo começou a tocar.

Ele rejeitou a chamada.

Tocou novamente.

Na terceira vez, atendeu.

— Fala.

Ouvimos apenas o lado dele da conversa.

— Como assim suspenso?

Ele se afastou alguns passos.

— Não.

O contrato estava praticamente assinado.

Pausa.

— Quem enviou essa notificação?

O rosto dele ficou rígido.

— Departamento jurídico do Grupo Valença?

Regina baixou os olhos.

Marcelo virou-se para mim.

— Você fez isso?

— Estou deitada numa cama depois de um parto.

Não fiz nada.

Mas meu pai fizera.

A empresa de Marcelo dependia de uma negociação para participar de um grande projeto logístico.

Eu não conhecia detalhes, mas sabia que o Grupo Valença controlava um fundo com participação decisiva na operação.

Meu pai não precisara fazer nenhuma ameaça ilegal.

Bastara informar que, diante de uma possível investigação criminal envolvendo fraude documental cometida por um dos executivos, qualquer negociação relacionada a ele ficaria suspensa até esclarecimento.

Minutos depois, outra ligação chegou.

Depois outra.

O sócio de Marcelo.

O advogado dele.

Um investidor.

A máscara de controle começou a rachar.

Bianca percebeu.

— Marcelo, você disse que os documentos eram legítimos.

— São.

— Então por que sua mãe está apavorada?

Regina se virou para ela.

— Porque meu filho decidiu brincar com pessoas que poderiam destruir anos de trabalho em uma tarde.

— Eu não sabia quem ela era! — explodiu Marcelo.

A frase saiu antes que ele pudesse impedir.

O quarto ficou em silêncio.

Eu o encarei.

— Então teria sido aceitável se eu realmente não tivesse ninguém?

Ele não respondeu.

Foi provavelmente a coisa mais verdadeira que fez naquele dia.

Quarenta minutos depois, meu pai chegou.

Eu o vi primeiro pelo vidro estreito da porta.

Antônio Valença tinha sessenta e três anos, cabelos grisalhos e a mesma postura rígida que eu lembrava da infância.

Vestia um sobretudo escuro molhado de chuva.

Ao lado dele vinha Laura Nogueira, advogada do grupo e antiga amiga da minha mãe.

Atrás dos dois estavam dois assessores.

E uma quinta pessoa.

Quando a reconheci, meu coração disparou.

Marina Lopes.

Minha antiga colega de faculdade.

A mulher que havia me mandado uma mensagem estranha três semanas antes do casamento e desaparecido da minha vida depois que Marcelo afirmou que ela estava tentando causar problemas entre nós.

Marina carregava um envelope pardo.

Marcelo viu.

Seu rosto perdeu a cor.

Meu pai entrou no quarto, olhou para Elisa e depois para mim.

Por um segundo, toda a dureza desapareceu de sua expressão.

— Ela está bem?

— Está.

Ele assentiu.

Não me abraçou.

Nossa relação ainda tinha feridas demais para gestos fáceis.

Mas ficou ao lado da cama.

— Então vamos cuidar do resto.

Laura pediu para examinar a pasta apresentada por Marcelo.

Ele tentou impedir.

— É documento particular.

— Documento particular que o senhor apresentou dentro de um hospital para reivindicar direitos sobre um recém-nascido — respondeu ela.

— A equipe jurídica já está preservando uma cópia.

Marina continuava perto da porta.

Eu olhei para o envelope.

—

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