mostra os dois discutindo.
O motorista entrega um envelope à dona Beatriz.
Helena olhou para a bolsa da sogra.
A reação de Beatriz foi pequena, mas suficiente.
Rafael viu.
— Abra a bolsa.
— Não seja absurdo.
— Abra.
— Você não tem o direito de me tratar dessa forma.
— Então prove que estamos errados.
Beatriz olhou ao redor.
Seu maior medo sempre fora a exposição.
Agora dezenas de pessoas estavam esperando.
Com movimentos secos, abriu a bolsa e retirou um envelope creme.
Helena reconheceu a letra antes mesmo de tocar nele.
As pernas enfraqueceram.
— Isso é do meu pai.
Seu pai, Antônio, morrera quatro meses antes depois de um infarto repentino.
Helena pegou o envelope.
— Onde conseguiu isso?
Beatriz não respondeu.
Dentro havia uma carta datada seis meses antes.
Helena começou a ler.
“Rafael, se você está recebendo isto, é porque não consegui conversar pessoalmente com você.”
Ela parou.
A carta era endereçada a Rafael.
— Você já viu isso? — perguntou.
Ele balançou a cabeça.
Helena continuou.
Antônio escrevia que, meses antes, recebera a visita de alguém ligado à família Albuquerque.
A pessoa oferecera dinheiro para que ele convencesse Helena a terminar o relacionamento.
O pai recusara.
Depois começara a registrar ligações e mensagens porque temia que a pressão aumentasse.
No final, havia uma frase sublinhada.
“Não contei a Helena porque não queria que ela carregasse essa humilhação antes do casamento.
Mas você precisa saber até onde sua mãe está disposta a ir.”
Rafael ergueu lentamente os olhos.
— Você tentou pagar o pai dela?
Beatriz fechou a bolsa.
— Seu pai está morto.
Não sabemos em que estado emocional escreveu isso.
Helena sentiu o choque virar raiva.
— Não fale dele dessa maneira.
— Estou dizendo que uma carta não prova…
— Há mensagens — Rafael interrompeu.
Ele pegou a folha das mãos de Helena.
No verso, Antônio anotara um número de telefone e instruções sobre um pequeno pen drive guardado em sua escrivaninha.
Helena conhecia aquela escrivaninha.
Depois da morte do pai, ela ajudara a mãe a organizar os documentos, mas nunca abrira a gaveta inferior, que permanecera trancada.
— Como essa carta chegou até você? — Helena perguntou.
Beatriz ficou calada.
Rafael repetiu:
— Como?
A resposta veio de outra pessoa.
— Fui eu que entreguei.
Um homem surgiu perto da porta lateral do casarão.
Augusto vinha atrás dele.
Helena reconheceu o uniforme da empresa de flores.
Era o motorista das imagens.
Chamava-se Marcelo.
Ele parecia nervoso.
— Dona Beatriz me pagou para tirar a caixa — disse.
— Mas eu não sabia o que tinha dentro até ela mandar trocar as capas.
Beatriz virou-se.
— Você está mentindo.
— Tenho as mensagens.
Marcelo retirou o celular.
— E tenho o comprovante da transferência.
Rafael encarou a mãe como se não a reconhecesse.
— Por quê?
Beatriz respirou fundo.
Por alguns segundos, a mulher polida desapareceu.
— Porque ninguém estava fazendo nada.
— Sobre o quê?
— Sobre você destruir tudo por uma paixão.
Rafael soltou uma risada sem humor.
— Meu casamento é “destruir tudo”?
— Você não entende o que carrega.
Seu nome, sua posição, suas responsabilidades…
— Eu sou advogado, mãe.
Não sou herdeiro de um trono.
Alguns convidados desviaram os olhos.
Beatriz olhou para Helena.
— E você