Minha Mãe Aumentou Meu Aluguel Para Sustentar Meu Irmão — E Escondia Algo Pior

o telefone com firmeza.

— Mãe, eu não moro mais aí.

Aproveite para sustentar todos eles.

Desliguei.

Passei a tarde organizando meu novo quarto.

Joana pediu comida, colocou uma música baixa na cozinha e me ajudou a montar a escrivaninha.

Quando terminei, havia apenas uma cama, uma estante, algumas fotografias e uma luminária junto à janela.

Era pequeno.

Era simples.

Era meu espaço.

Às oito da noite, meu pai telefonou.

— Lívia, preciso te perguntar uma coisa.

Seu tom me assustou.

— O que aconteceu?

— Desde quando você manda dinheiro para sua mãe?

— Desde que voltei da faculdade.

Por quê?

— Quanto por mês?

— Novecentos e cinquenta reais de aluguel.

Além das compras.

Ouvi uma cadeira se arrastar do outro lado da linha.

— Quatro anos? — ele perguntou.

— Sim, pai.

Quatro anos.

Meu pai ficou em silêncio durante tanto tempo que pensei que a ligação havia caído.

Então disse:

— Lívia, sua mãe sempre me disse que esse dinheiro vinha do Caio.

Meu corpo inteiro ficou imóvel.

— O quê?

— Ela cuida do caderno de despesas.

Todo mês aparece uma contribuição do seu irmão.

Novecentos e cinquenta reais.

Sentei na beirada da cama.

Meu pai continuou:

— Pensei que ele estivesse ajudando a sustentar a casa desde que fiquei doente.

Achei que você só contribuía com algumas compras.

Lembrei do almoço em que ele abraçara Caio e elogiara sua responsabilidade.

Lembrei também de todas as vezes em que minha mãe me impediu de conversar sobre dinheiro na presença dele.

— Pai, eu posso provar cada pagamento.

— Por favor, filha.

Preciso ver.

Desligamos.

Passei quase uma hora acessando meu banco e baixando os comprovantes de PIX.

Havia quarenta e oito transferências de R$ 950, sempre para a conta pessoal de Marta Almeida.

No total, R$ 45.600 apenas de aluguel.

Somando os gastos médios com supermercado, minha contribuição durante aqueles quatro anos se aproximava de R$ 76.800.

Eu nunca tinha visto o número completo.

Fiquei olhando para a planilha e tentando entender quantos sonhos havia adiado porque considerava natural bancar despesas que não eram inteiramente minhas.

Um curso de especialização.

Uma viagem que havia cancelado.

Os móveis que nunca comprara porque esperava ter minha própria casa um dia.

Não me arrependia de ter ajudado meu pai quando ele precisou.

O que doía era descobrir que alguém havia apagado meu nome daquela ajuda para colocar o de outra pessoa.

Enviei os documentos.

Quarenta minutos depois, meu pai ligou novamente.

— Recebi tudo.

Sua voz estava rouca.

— Pai, eu não queria que você descobrisse assim.

— Você não fez nada errado, filha.

Ouvi minha mãe ao fundo.

— Augusto, não transforme uma confusão de família numa tragédia!

Meu pai respondeu com uma firmeza que eu raramente havia ouvido.

— Marta, eu perguntei à nossa filha porque você escreveu o nome do Caio ao lado do dinheiro dela.

Você ainda não me respondeu.

Minha mãe falou alguma coisa que não consegui compreender.

Depois a ligação terminou.

Na manhã seguinte, recebi uma mensagem de Renata.

Ela pediu desculpas por toda a confusão na casa e confessou que estava cansada de ver Caio agir como se a situação financeira deles fosse responsabilidade de outras pessoas.

Renata havia trabalhado durante anos como atendente de loja.

Depois que as horas de

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