social clara e um relógio caro.
Estava mais pesado do que Daniel lembrava e com o cabelo penteado para trás.
“Bem-vindo de volta”, disse.
Daniel o observou.
“Você sabia que eu saía hoje.”
Bruno sorriu.
“Não é segredo quando um condenado é solto.”
“Onde enterraram meu pai?”
Helena respondeu depressa.
“Vale Sereno.
Ao lado de Laura.”
Daniel desviou os olhos para ela.
“Quero ver os documentos dele.
Testamento.
Certidão.
Qualquer coisa.”
O rosto de Helena endureceu.
“Você não tem direito de exigir nada aqui.
Augusto deixou tudo para mim.
Casa, investimentos e participação na empresa.”
Daniel sentiu a velha raiva que aprendera a controlar dentro da prisão.
“Meu pai construiu aquela empresa antes de conhecer você.”
“E mesmo assim decidiu quem merecia o quê.”
Bruno deu um passo à frente.
“Vai embora, Daniel.
Você acabou de sair da cadeia.
Não seria inteligente voltar tão rápido.”
A ameaça era clara.
Daniel olhou para o meio-irmão por alguns segundos e então desceu os degraus.
Ele não gritou.
Isso pareceu incomodar Bruno mais do que qualquer confronto teria incomodado.
O Cemitério Vale Sereno ficava no outro lado da cidade.
Daniel chegou pouco antes do anoitecer.
Conhecia o caminho até o túmulo da mãe de memória.
Laura Ferraz descansava numa parte antiga do terreno, perto de altos ciprestes.
Augusto comprara o espaço ao lado dela quase vinte anos antes.
Daniel encontrou a lápide de Laura.
O lugar ao lado estava vazio.
Nada de flores.
Nada de pedra nova.
Nenhuma marca recente no solo.
Ele verificou duas vezes o nome das fileiras.
Foi então que ouviu rodas de metal sobre cascalho.
Um homem idoso aproximou-se empurrando um carrinho com ferramentas.
Tinha barba branca curta e um boné verde desbotado.
“Posso ajudar?”
“Procuro Augusto Ferraz.”
O homem parou.
Seus olhos se estreitaram.
“Quem é você?”
“Daniel.
Filho dele.”
O idoso ficou completamente imóvel.
“Daniel Ferraz?”
“Sim.”
Ele olhou para a entrada do cemitério.
“Venha comigo.”
Conduziu Daniel até uma pequena construção de manutenção.
Só depois de fechar a porta retirou um envelope de dentro de um armário.
“Meu nome é Elias.
Seu pai me entregou isto alguns meses depois de você ser preso.”
Daniel reconheceu a caligrafia imediatamente.
DANIEL, estava escrito na frente.
Dentro havia uma folha dobrada e uma etiqueta metálica marcada com as palavras GALPÃO 47 — PORTO NORTE.
Daniel abriu a carta.
“Filho, se Helena lhe disser que eu morri, não demonstre que sabe que ela está mentindo.”
Ele leu a frase três vezes.
“Que brincadeira é essa?”
Elias balançou a cabeça.
“Não é brincadeira.”
“Meu pai está vivo?”
“Não sei.”
A resposta pareceu absurda.
Elias explicou que Augusto começara a visitar o cemitério semanalmente cerca de seis meses depois da condenação de Daniel.
Sentava-se perto de Laura e permanecia ali durante horas.
Nos últimos encontros, parecia estar sendo seguido.
Uma tarde, entregara o envelope a Elias e pedira que ele só o entregasse ao filho pessoalmente.
“Ele disse alguma coisa sobre Helena?”
“Disse que tinha cometido um erro ao confiar em certas pessoas.
E que talvez você tivesse pagado por esse erro.”
Daniel voltou à carta.
A segunda frase era ainda pior:
“Bruno colocou você na prisão.
Não confronte nenhum dos dois até encontrar o que deixei para você.”
Daniel sentiu um frio atravessar a nuca.
Antes que pudesse perguntar mais, um