você era a coragem de não entregar sua voz para comprar paz.”
Li aquilo várias vezes.
Depois fechei os olhos.
Minha avó tinha razão.
A casa podia ser vendida um dia.
Podia ser reformada.
Podia até deixar de existir.
Mas a versão de mim que entrava naquela cozinha e dizia “não” nunca mais desapareceria.
Naquela tarde, alguém tocou a campainha.
Era uma mulher que eu nunca tinha visto.
Ela segurava um envelope antigo.
— Você é Clara?
— Sou.
Ela olhou para a casa atrás de mim.
— Meu nome é Elisa.
Minha mãe conhecia sua avó.
Meu corpo ficou imóvel.
Ela estendeu o envelope.
— Teresa pediu que eu só entregasse isso depois que a disputa terminasse.
Olhei para o selo de cera já quebrado.
Havia apenas uma linha escrita na frente.
“Para Clara, somente depois que ela souber toda a verdade.”
E, pela primeira vez em meses, senti que a história daquela casa talvez ainda não tivesse chegado ao fim.