empresa.
Depois de verificar sua identidade, uma atendente dissera que havia uma operação comercial em avaliação, mas que detalhes adicionais exigiriam uma solicitação formal.
Sofia imediatamente pedira que qualquer procedimento relativo ao imóvel fosse suspenso até comparecimento presencial ou autorização expressa de sua advogada.
Ainda não mencionara o assunto a Nolan.
Parte dela torcia para que fosse um erro administrativo.
Agora já não acreditava nisso.
Ela fechou o envelope.
— Não vou assinar.
Mason inclinou-se para frente.
— Você nem leu tudo.
— Li o suficiente.
— Estou pedindo seis meses.
— Você está pedindo que eu coloque um patrimônio meu em risco por uma empresa que já está com problemas de caixa.
— Eu sou seu cunhado.
— Isso não muda os números.
Evelyn pousou a taça.
— Às vezes, família significa confiar nas pessoas mesmo quando uma planilha assusta.
Sofia respirou devagar.
— Às vezes, família significa aceitar um não sem transformar isso em prova de amor.
Brooke levantou os olhos do celular.
— Pronto.
Agora virou sermão.
— Não estou dando sermão em ninguém.
— Você sempre faz isso — disse Brooke.
— Tudo vira princípio quando é você quem não quer fazer alguma coisa.
Sofia viu Nolan fechar os olhos.
Aquele gesto familiar.
O aviso silencioso para que ela parasse.
Foi então que Evelyn falou a frase que mudou a temperatura da mesa.
— Depois de tudo que fizemos por você, pensei que teria mais consideração.
Sofia sentiu as costas endurecerem.
— O que exatamente vocês fizeram por mim que equivale a duzentos e quarenta mil dólares?
Mason empurrou a cadeira alguns centímetros.
— Isso é ofensivo.
— Não fui eu quem colocou meu apartamento em um pedido de empréstimo antes de me perguntar.
— Nolan disse que vocês conversariam.
— Conversar não significa consentir.
Evelyn bateu a mão na mesa.
— Chega.
A música do lado de fora continuou tocando.
Algumas pessoas na outra ponta da sala fingiram olhar para os pratos.
— Mason está tentando proteger dezenas de empregos — continuou Evelyn.
— Você tem um apartamento praticamente vazio enquanto mora com meu filho numa casa muito melhor.
Ninguém está pedindo dinheiro.
Apenas confiança.
Sofia olhou para ela.
O apartamento tinha sido comprado com a herança da avó portuguesa de Sofia.
Era o único patrimônio significativo que permanecera exclusivamente em seu nome.
Ela nunca pensara nele como investimento para enriquecer.
Para Sofia, o apartamento representava segurança.
Uma porta que podia abrir se algum dia tudo desse errado.
E, naquele almoço, descobria que os Bennett sabiam exatamente quanto aquela porta valia.
— Não vou assinar — repetiu.
Nolan levantou-se.
A cadeira raspou violentamente no piso de madeira.
Toda a sala parou.
— Você não precisava transformar isso numa guerra — disse ele.
— Eu disse não a um empréstimo.
— Você está tratando minha família como criminosa.
— Eu não usei essa palavra.
— Está insinuando.
— Nolan, alguém iniciou um procedimento ligado ao meu imóvel antes de eu concordar.
O rosto dele mudou por um instante.
Foi pequeno, mas Sofia percebeu.
— Que procedimento?
Ela ficou em silêncio.
Nolan havia respondido rápido demais.
Não com surpresa.
Com medo.
Evelyn levantou-se também.
— Você veio para o aniversário do Richard e transformou o almoço numa acusação.
Sofia virou-se para ela.
— Eu recebi um contrato