disse Douglas, recuperando a voz.
— Meu cliente foi responsável pela expansão da empresa e por seu valor atual.
Elena abriu o livro de acionistas.
— Os registros originais mostram que Loretta Bennett detinha oitenta e dois por cento das ações.
Barrett O’Connell possuía dezoito por cento.
Também temos os comprovantes de que o capital inicial veio majoritariamente dos recursos da minha cliente.
A juíza examinou as assinaturas.
Em uma das páginas, Barrett reconhecia expressamente a distribuição inicial das ações.
Não havia como atribuir aquele registro a um erro de digitação.
— O senhor assinou esta declaração? — perguntou a juíza.
Barrett olhou para o documento.
— Sim, mas isso foi no início.
Eu construí o negócio de verdade.
Passei anos negociando contratos e expandindo as operações.
— Suas contribuições serão consideradas — respondeu ela.
— Mas o senhor não pode apagar a participação societária de outra pessoa simplesmente porque passou a ocupar o cargo de diretor executivo.
A juíza então voltou sua atenção para a petição de divórcio.
Barrett havia declarado ser o único proprietário da empresa e pretendia usar o acordo pré-nupcial para reivindicar o patrimônio como bem exclusivamente seu.
O problema era que o acordo protegia os bens individuais de cada cônjuge, enquanto a declaração financeira apresentada por Barrett descrevia a empresa de maneira incompatível com os registros originais.
— Senhor O’Connell, por que declarou ser o único proprietário de uma empresa cujos documentos mostram que sua esposa detinha a participação majoritária? — perguntou a juíza.
Barrett abriu a boca, mas nenhuma resposta convincente apareceu.
Pela primeira vez desde que o processo começara, seus três advogados pareciam tão preocupados quanto ele.
Douglas solicitou um recesso.
A juíza concedeu quinze minutos e, antes de interromper a audiência, determinou que nenhum dos cônjuges poderia transferir, vender ou ocultar ativos relevantes da empresa até a realização de uma análise financeira independente.
Paige se inclinou em direção a Barrett.
— Você me disse que tudo era seu.
Ele não respondeu.
Ela se afastou alguns centímetros, como se estivesse tentando compreender quem realmente era o homem ao seu lado.
Durante o recesso, Elena explicou que a descoberta não significava uma decisão definitiva sobre todo o patrimônio.
Os registros demonstravam a estrutura original de propriedade, mas ainda seria necessário determinar o valor atual das participações, examinar as cláusulas do acordo pré-nupcial e avaliar quais aumentos patrimoniais poderiam estar sujeitos à divisão conforme a legislação aplicável.
Pela primeira vez, senti que alguém estava tratando a verdade com a seriedade que ela merecia.
Quando a audiência recomeçou, a discussão passou para a guarda dos meninos.
Douglas voltou a insistir que Barrett poderia pagar as melhores escolas, oferecer uma casa ampla e proporcionar viagens e oportunidades que eu não conseguiria financiar sozinha.
Elena apresentou registros da rotina familiar, compromissos escolares, consultas médicas e mensagens que demonstravam como eu havia assumido a maior parte dos cuidados diários enquanto Barrett viajava constantemente a trabalho.
Não pedi que a juíza punisse meu marido por ter dinheiro.
Pedi que examinasse a vida real de nossos filhos.
A juíza Lawson foi clara.
— A guarda não será decidida pelo tamanho da conta bancária de nenhum dos pais.
O critério central é o melhor interesse das crianças.
Ela determinou uma avaliação familiar independente, estabeleceu medidas temporárias para preservar a rotina dos meninos