Meu Irmão Me Expulsou — Até Eu Revelar De Quem Era a Casa

seu irmão.

Meu corpo ficou alerta.

— O que ele fez?

Ela me entregou o envelope.

Dentro havia impressões de mensagens, fotografias de documentos e uma proposta de empréstimo de uma financeira que eu nunca tinha visto.

No campo destinado à garantia aparecia o endereço da minha casa.

No campo destinado ao proprietário aparecia meu nome.

E na linha da assinatura havia uma tentativa grosseira de imitá-la.

Levantei os olhos.

— Isso é falsificado.

Minha mãe começou a chorar.

— Eu sei.

— De onde você tirou isso?

— Um homem veio à casa três dias atrás procurando Bruno.

Ele disse que havia inconsistências na documentação.

Meu estômago afundou.

— Três dias?

Ela assentiu.

— E você não me contou?

— Bruno disse que resolveria.

— Mãe, ele tentou usar minha casa como garantia de dívida.

— Ele disse que não chegou a concluir.

— Isso não melhora nada.

Ela apertou as mãos.

— Ele estava desesperado.

Eu senti raiva, mas por baixo dela havia algo pior.

Compreensão.

De repente, a expulsão fazia sentido.

— Foi por isso que ele queria que eu saísse.

Minha mãe permaneceu em silêncio.

— Ele achou que, se eu não estivesse morando lá, teria tempo de consertar isso antes que eu descobrisse.

— Acho que sim.

— E você aceitou.

— Eu estava com medo.

— De quê?

— Que ele fizesse alguma coisa pior.

Eu ri sem humor.

— Então você entregou a ele exatamente o que queria.

Minha mãe começou a dizer meu nome.

Eu levantei a mão.

— Não.

Desta vez eu preciso entender tudo.

Naquela tarde, procurei uma advogada indicada por uma colega de trabalho.

Dra.

Renata examinou os documentos durante quase uma hora.

— Não há transferência válida da propriedade — explicou.

— Pelo material que você trouxe, parece que seu irmão tentou obter crédito apresentando documentação adulterada.

Precisamos descobrir até onde isso avançou.

— Posso perder a casa?

— Pelo que vejo agora, não.

Mas não ignore isso.

Pela primeira vez desde a noite anterior, respirei com alguma tranquilidade.

Renata recomendou registrar formalmente a tentativa de fraude e entrar em contato com a empresa financeira.

Fizemos isso.

Dois dias depois, descobrimos a verdadeira dimensão.

Bruno devia quase R$ 180 mil.

Não por causa de uma empresa.

Não por um investimento que dera errado.

Grande parte vinha de empréstimos pessoais, cartões e dinheiro que ele havia colocado em operações especulativas seguindo grupos de internet que prometiam retornos impossíveis.

Quando perdeu dinheiro, pediu mais.

Quando venceu a primeira dívida, pegou outra para cobrir.

Depois outra.

A casa parecia sua última tentativa de escapar.

Na sexta-feira, ele apareceu no escritório da advogada.

Não o via desde a expulsão.

Parecia menor.

Sem a segurança da casa, da minha mãe e da certeza de que alguém sempre pagaria, meu irmão finalmente parecia um homem assustado com as próprias escolhas.

— Você chamou uma advogada contra mim? — perguntou.

— Você falsificou minha assinatura.

— Eu ia resolver.

— Como?

— O dinheiro ia entrar.

Eu tinha uma estratégia.

Renata permaneceu em silêncio do outro lado da mesa.

— Bruno, você tentou oferecer um imóvel que não é seu como garantia.

Ele olhou para mim.

— Você vai acabar com a minha vida por causa disso?

A pergunta me atingiu com força.

Era sempre

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