do banco.
Meu contador preparou comprovantes de renda e origem dos recursos usados na compra da casa.
Minha empresa enviou o registro de propriedade do Mercedes.
Quando Renato recebeu nossa primeira resposta formal, ligou para mim.
Eu não atendia suas chamadas, mas naquele dia decidi ouvir.
— O que você está fazendo? — perguntou sem cumprimentos.
— Respondendo ao processo que você abriu.
— Você contratou Laura Mendes?
— Contratei.
Ele ficou em silêncio.
Conhecia a reputação dela.
— Isso vai custar caro.
— Eu posso pagar.
A frase pareceu irritá-lo mais do que qualquer outra coisa.
— Com que dinheiro?
Olhei pela janela da cozinha da minha irmã.
— Meu.
— Camila, não transforme isso numa vingança.
— Você me entregou papéis de divórcio enquanto eu estava ligada a um monitor cardíaco e tentou ficar com uma casa que não comprou.
Não sou eu quem está confundindo as coisas.
— Eu investi naquela casa.
— Então seus advogados podem demonstrar exatamente quanto.
Ele desligou.
Na primeira audiência importante, Renato chegou quinze minutos antes, acompanhado do advogado e de Bianca.
Ela era mais jovem do que eu imaginava, talvez trinta e dois anos.
Usava um vestido creme, salto discreto e uma pulseira que reconheci imediatamente das fotos da joalheria.
Não senti raiva dela naquele instante.
Senti curiosidade.
Quanto Renato havia contado?
Pelo modo como Bianca entrou na sala olhando ao redor, parecia acreditar que estava acompanhando um homem rico durante uma inconveniência temporária.
Laura chegou carregando duas pastas.
— Está pronta?
— Acho que sim.
— Não tente prever cada coisa que vai acontecer.
Apenas responda ao que perguntarem.
A audiência começou de maneira quase tediosa.
Datas.
Contas.
Documentos.
Declarações financeiras.
Então o advogado de Renato afirmou que a casa constituía o principal patrimônio do casal e que seu cliente havia contribuído substancialmente para sua aquisição.
Laura pediu a palavra.
Apresentou o registro original da compra, a documentação da herança e a estrutura patrimonial estabelecida na época.
O juiz examinou tudo.
Renato começou a mexer a perna debaixo da mesa.
O juiz fez algumas perguntas ao advogado dele.
As respostas ficaram progressivamente menos seguras.
Por fim, o magistrado explicou que, considerando a origem rastreável dos recursos e a forma como a propriedade fora registrada, a alegação de Renato de que possuía metade automática da casa não se sustentava daquela maneira.
Bianca virou o rosto para ele.
Renato não olhou de volta.
Depois vieram as contas.
Algumas eram realmente conjuntas e precisariam ser analisadas com cuidado.
Outras continham valores provenientes da minha renda e de recursos separados, documentados por anos de registros.
Então chegou o Mercedes.
O advogado de Renato o havia incluído como bem de uso pessoal de seu cliente.
Laura apresentou o registro empresarial.
— O veículo pertence à Torres Compliance Consulting — explicou.
— Minha cliente é a única proprietária da empresa.
O juiz confirmou o documento.
Bianca se inclinou para Renato.
Mesmo a alguns metros, ouvi sua voz.
— Você disse que o carro era seu.
— Não agora.
— Você disse que tinha comprado.
— Bianca.
Ela ficou vermelha.
O juiz pediu silêncio.
Renato parecia menor na cadeira.
Sua postura rígida desaparecera.
Durante anos, ele construíra uma identidade inteira sobre coisas que não compreendia.
A casa.
O carro.
O dinheiro.
Até meu trabalho.
Ele não precisava