Ele Pensou Que Se Casaria com uma Desconhecida, Mas Quando o Véu Caiu, Reconheceu a Mulher que Procurava Havia Três Anos

anos e vivia praticamente dentro do escritório.

Trabalhava até tarde, acordava cedo e atravessava Manhattan com a cabeça cheia de relatórios e reuniões.

Em uma quinta-feira de outubro, precisou pegar o trem C porque seu carro estava na oficina.

Foi na estação da 72nd Street que a viu pela primeira vez.

Ela segurava um livro de capa azul, com as páginas marcadas por pequenos papéis coloridos.

Não usava fones de ouvido nem olhava para o celular.

Parecia completamente concentrada na leitura, apesar do barulho e da quantidade de pessoas no vagão.

Sean olhou para ela uma vez.

Depois olhou novamente.

Não havia nada extraordinário em sua aparência.

Era justamente isso que o intrigava.

Ela parecia não estar tentando impressionar ninguém.

Na viagem seguinte, o destino os colocou novamente no mesmo vagão.

O livro escapou das mãos dela quando o trem freou bruscamente.

Sean conseguiu segurá-lo antes que atingisse o chão.

— Acho que você salvou minha leitura — ela comentou, sorrindo.

— Não sei se sou tão heroico assim.

— Pelo menos hoje você fez alguma coisa além de olhar para o celular.

Sean riu.

Foi a primeira vez em semanas que riu sem pensar em trabalho.

Ela se apresentou apenas como Dani.

Ele disse que se chamava Sean.

Nenhum dos dois perguntou sobrenomes.

Nas semanas seguintes, começaram a conversar sempre que se encontravam no metrô.

Ela trabalhava em um projeto comunitário de incentivo à leitura e sonhava em abrir uma biblioteca gratuita para crianças de bairros com poucos recursos.

Ele contou que trabalhava com negócios e que seu pai esperava que ele assumisse cada vez mais responsabilidades na empresa.

— Você gosta do que faz? — ela perguntou certa manhã.

Sean demorou a responder.

— Acho que gosto do que sou bom em fazer.

— Não foi isso que perguntei.

Ele olhou para ela.

Ninguém costumava fazer perguntas daquele tipo.

Em outra viagem, ela comentou que o pai acreditava que dinheiro e influência resolviam praticamente tudo.

Sean reconheceu naquela descrição algo familiar demais.

— E você? — perguntou.

— Eu acredito que uma vida não deveria ser decidida por outras pessoas.

A frase ficou com ele.

Certa noite, uma forte chuva interrompeu o funcionamento de parte da linha.

Os dois desceram na mesma estação e acabaram entrando em uma pequena cafeteria chamada Café Lune.

Conversaram durante quase duas horas.

Dani contou sobre seu sonho de criar um espaço onde crianças pudessem ler, estudar e descobrir possibilidades que talvez nunca encontrassem em casa.

Sean contou que, às vezes, imaginava abandonar o escritório e começar uma vida completamente diferente.

— Então por que não faz isso? — ela perguntou.

— Porque não é tão simples.

— Nunca é.

Mas continuar infeliz também tem um preço.

Sean ficou olhando para a xícara.

Naquela noite, sentiu que poderia contar coisas que jamais dissera a qualquer pessoa.

Quando se despediram, Dani escreveu um número em um pedaço de papel.

— Sábado, às dez.

Café de verdade, sem o barulho do metrô.

Se quiser me encontrar, ligue.

Sean guardou o papel no bolso.

— Estarei lá.

Mas o sábado nunca aconteceu como deveria.

Naquela manhã, sua mãe sofreu uma emergência médica e foi levada ao hospital.

Sean recebeu a ligação de seu pai pouco antes de sair de casa.

Correu para o hospital e tentou

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