receberia as mesmas notificações que qualquer outro cliente.
O que eu não faria mais era protegê-lo das consequências.
Quando voltamos ao jardim, Daniel havia começado um discurso.
— Durante anos, muita gente duvidou de mim — declarou.
— Mas hoje eu posso olhar para esta casa e dizer que construí algo que ficará para a próxima geração.
Beatriz enxugava os olhos.
Então Daniel pegou uma pequena caixa de madeira e caminhou até ela.
— Mãe, quando terminarmos algumas reformas, quero que você tenha sua própria suíte aqui.
A mãe dele levou as mãos à boca.
Os convidados aplaudiram.
Clara apertou meus dedos.
— Mamãe, nós também vamos morar aqui?
Daniel ouviu.
— Veremos, querida.
A forma casual como respondeu me mostrou que a mentira não tinha limites.
Ele estava prometendo cômodos de uma casa que não possuía enquanto tratava as próprias filhas como visitantes inconvenientes.
Caminhei até ele.
— Daniel, sua mãe não terá uma suíte permanente nesta casa.
Ele sorriu sem humor.
— Mariana, por favor.
Não agora.
— Principalmente agora.
Beatriz cruzou os braços.
— Está com ciúme porque meu filho finalmente conquistou algo importante?
Raul se aproximou e colocou a pasta sobre a mesa.
Daniel olhou para o logotipo da administradora.
Seu rosto mudou.
— Quem é você?
— Raul Mendes, diretor de operações da Vale Meridian Properties.
— E por que você está na minha casa?
Raul não respondeu imediatamente.
Ele olhou para mim.
Daniel percebeu.
— Mariana?
— Esta não é sua casa.
Uma risada nervosa escapou de um dos tios dele, como se esperasse que fosse uma piada.
Não era.
— A Vale Meridian é proprietária indireta desta residência por meio de uma subsidiária — expliquei.
— E eu sou fundadora e acionista controladora da Vale Meridian.
Beatriz ficou pálida.
Daniel me encarou.
— Isso é impossível.
— Por quê?
Ele abriu a boca e não respondeu.
Eu sabia o motivo.
Era impossível para ele porque, durante dez anos, ele havia decidido que eu era pequena.
Raul abriu o contrato e apontou a identificação da locatária.
— A Mercer Strategic Ventures alugou a propriedade para este evento.
Existe ainda um saldo vencido.
O assunto seguirá o processo normal do contrato.
Daniel empurrou o documento.
— Você armou isso.
— Não.
Você alugou uma casa da minha empresa sem saber quem controlava a empresa.
Depois contou à sua família que havia comprado a propriedade.
Nenhuma dessas decisões foi minha.
Beatriz encontrou a própria voz.
— Você nos deixou acreditar nisso de propósito!
Olhei para ela.
— Eu não sabia que Daniel estava dizendo que havia comprado a casa até chegar aqui esta noite.
— Então você deveria ter corrigido antes.
— Talvez.
Mas achei curioso observar até onde ele levaria a mentira.
Daniel levantou-se de repente.
— Todo mundo vai embora.
Ninguém se mexeu.
Ele olhou para mim.
— Inclusive você.
— Já estávamos saindo.
— Se cruzar aquela porta, não volte para nossa casa.
Clara se encolheu ao meu lado.
Aquilo encerrou qualquer dúvida restante.
— A casa onde moramos foi comprada por mim quatro anos antes do nosso casamento — respondi.
— Está exclusivamente em meu nome.
Daniel perdeu a cor.
Alguns parentes desviaram o rosto para esconder a reação.
Peguei os casacos das meninas.
— Meu advogado entrará em contato amanhã.
Naquela