Cinco anos depois do funeral, ela encontrou o marido vivo no quarto de outro bebê

é lugar para interrogatório.”

Helena virou-se para ela.

“Então me leve a qualquer lugar onde você consiga explicar por que enterrei um homem que estava vivo.”

Sophie olhava de uma pessoa para outra.

“Eu não entendo nada.”

Helena percebeu que, pela primeira vez, alguém naquela sala estava tão enganado quanto ela havia sido.

“Você conhece Daniel há quanto tempo?”

“Quase um ano.”

“E ele diz que se chama David?”

Sophie assentiu.

“Disse que trabalhava remotamente para uma empresa de logística.”

Daniel fechou os olhos.

“Eu não contei toda a verdade para ela.”

Helena sentiu a velha dor se transformar em algo novo.

“Essa frase você conhece bem, não é?”

Daniel baixou a cabeça.

A primeira grande revelação veio então.

O corpo enterrado cinco anos antes não era dele.

Daniel contou que, semanas antes do acidente, descobrira movimentações financeiras estranhas dentro da empresa.

Dinheiro desaparecia por empresas de fachada.

Contratos antigos haviam sido reativados.

Transferências eram autorizadas com credenciais vinculadas ao nome dele.

Ele acreditava que alguém estava preparando uma fraude para parecer que ele era o responsável.

Quando ameaçou investigar, recebeu um aviso.

“Pare de procurar.”

Depois veio outro.

“Você não sabe quem está envolvido.”

Na noite seguinte, o carro dele foi encontrado na ravina.

Daniel, porém, não estava dirigindo.

Segundo sua versão, um homem desconhecido o encontrou horas antes do acidente, dizendo que ele precisava desaparecer imediatamente.

Daniel desconfiou, mas percebeu tarde demais que o perigo era real.

Ele fugiu.

Dias depois, soube que a família havia recebido a notícia de sua morte.

Helena escutou aquilo em silêncio.

“E você deixou que acreditassem?”

Daniel demorou para responder.

“Eu sabia que, se voltasse, colocaria você em risco.”

Ela sentiu raiva.

Uma raiva tão antiga que parecia ter sido armazenada nos ossos.

“Você não me protegeu.

Você me abandonou.”

A frase o atingiu.

Daniel deu um passo atrás.

Sophie, ao lado da janela, começou a juntar as peças.

“Então por que você está aqui comigo?”

Daniel não conseguiu olhar para ela.

Celeste respondeu.

“Porque você fazia parte da proteção.”

Sophie ficou pálida.

“Proteção de quem?”

“De alguém que precisava acreditar que Daniel tinha morrido.”

Helena sentiu um arrepio.

A situação já era monstruosa, mas ainda faltava a parte que explicaria por que uma jovem mãe havia sido envolvida.

Ela se aproximou de Sophie.

“O que você sabe sobre a família Mercer?”

“Nada.”

“E sobre o nome David?”

Sophie hesitou.

“Ele já usava esse nome quando nos conhecemos.”

Helena olhou para Daniel.

“Quem escolheu esse nome?”

Dessa vez, ele respondeu.

“Celeste.”

A sogra apertou os lábios.

“Era o nome mais seguro.”

“Seguro para quem?”

Celeste não respondeu.

Helena colocou o celular sobre a cômoda.

“Não pense em tocar nele.”

Celeste avançou, mas parou quando percebeu o olhar de Daniel.

Helena blefou.

“Tenho uma cópia de tudo que conversarmos enviada para uma pessoa que sabe onde estou.”

Não era verdade.

Mas o medo no rosto de Celeste foi verdadeiro.

Helena percebeu.

“Você está com medo de quê?”, perguntou.

Celeste respirou lentamente.

“De que alguém descubra como Daniel morreu naquela noite.”

Helena franziu a testa.

“Ele não morreu.”

“Não”, respondeu Celeste.

“Mas outra pessoa morreu.”

O quarto ficou gelado.

Daniel fechou os punhos.

“Pare.”

Helena virou-se para ele.

“Quem era?”

Ele respondeu com dificuldade.

“Um homem que estava envolvido com as empresas que desviavam

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